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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Artigos

Santa Casa e o “abafamento” da realidade

Há 3 anos alertei formalmente ao Ministério Público de Barretos (área da saúde) quanto ao risco da irracional, irresponsável e insistente medida de obrigar os pacientes em situação de urgência/emergência a irem primeiramente à UPA antes de socorrerem-se no Serviço de Emergência da Santa Casa de Barretos.
Existem normas ditadas em Portarias e Resoluções, sejam do Ministério da Saúde, sejam do Conselho Federal de Medicina, em que o paciente (cidadão) que se sinta necessitado de atendimento de urgência tem o direito de procurar em LIVRE DEMANDA, um serviço em que confie estar aparelhado para ser melhor atendido.
Pois bem. O que acontece em Barretos?
Um gestor, que não é médico, que comanda todo um monopólio de saúde pública, sob conivência de figuras leigas em medicina, desde Prefeita e Secretário de Saúde do município, insiste em obrigar o trânsito inverso, obrigando o paciente a ser levado ou dirigir-se primeiramente à UPA.
Consegue o Sr. gestor somar um elenco de desqualificados serviços, que se inicia na próprio SAMU (obediente a essa regra obtusa), obrigando o paciente a ficar refém de uma UPA incompetente, desaparelhada física e humanamente, expondo o cidadão a riscos sérios que não aconteciam em quase 100 anos de função da Santa Casa de Barretos.
Exemplos simples, dentre centenas de situações clínicas emergenciais, são as lesões isquêmicas de coração, neurológicas ou periféricas em que o paciente deve ter seu diagnóstico agilizado e providências modernas de desobstruções arteriais rápidas, com “tetos de prazos” tecnicamente estabelecidos. E não serem submetidos a medidas administrativas aqui tomadas por um comando, insensível e irresponsável.
Está evidente o objetivo da gestão em não gastar com saúde, pelo menos com a de Barretos, diante da realidade de nosso município, a despeito de ser um dos cinco melhores do Estado quanto aos recursos repassados para os cofres públicos locais.
A pergunta clara e objetiva: onde foram parar R$ 2.473,00 por habitante, no ano de 2.022, só para a área da saúde do município, na contrapartida do péssimo atendimento hospitalar, nas unidades básicas de saúde, na UPA, nas áreas de especialidades (AME).
Em verdade, se nossa Santa Casa, degradada como nunca, já não é mais o melhor porto seguro como sempre foi, certamente dá uma chance maior ao cidadão do que ter que ir OBRIGATORIAMENTE primeiro à UPA que, se já não era eficiente, ficou pior agora depois de ser envolvida no monopólio sempre visando agregação de recursos públicos sem a devida contrapartida em benefício do verdadeiro “dono” que é a população SUS.
Necessário fazer justiça agora a dezenas de Provedores da Santa Casa que sempre lutaram com dificuldades financeiras e sempre garantindo padrão de atendimento digno e atualizados.
Com detalhe importante: QUASE NUNCA RECEBENDO RECURSOS PÚBLICOS, FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. Muito longe das comparáveis “fortunas” que hoje o monopólio recebe.
E, caracteristicamente, com a “crônica” falta de prestação de contas.
Acordem, Sra. Prefeita e Senhores Vereadores. O povo merece o melhor.

 

 

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Cirurgião Ex Diretor
Clínico da S. Casa, Ex Presidente
da Assoc. Paul. de Medicina – Regional
de Barretos e Advogado

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