sexta-feira, 27 de novembro de 2020

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Santa Casa e as eleições: da degradação, ao oportunismo político e às promessas vazias

Passados 7 anos de intervenção pela Prefeitura Municipal, pudemos assistir 3 anos de acerto pelo prefeito, 1 de transição para a iniciativa privada e, nos 3 últimos anos, enquanto Hospital de Amor, uma decadência no atendimento das policlínicas.
Chega a semana de eleições, e lamentavelmente gestores afirmam, com a máxima hipocrisia, que melhorou o atendimento do hospital. A avaliação quem realmente faz é a população atendida, confessando resumida e abertamente o pavor que tem de ser atendida nessa sagrada Casa de quase 100 anos.
A opinião dos médicos seria, logicamente, um critério de avaliação dessa instituição que jamais poderia ser levada ao ponto em que se encontra. Mas, quais médicos? Do universo de 150 profissionais que honravam a Medicina ali praticada, com ou sem crise de gestões administrativas, restam ali, hoje, trabalhando, um máximo 10 colegas mais antigos que procuram fazer a sua parte. 140 estão marginalizados de ali trabalharem por uma postura dessa gestão possessiva, autoritária e injusta à grande maioria de colegas
Por isso, não há como esconder a desqualificação a que foi levada uma Medicina que era respeitada e que foi grotescamente chamada, no início, de “medicina desonesta ou de meia boca”, pelo atual gestor.
A vida ensina que a pior mistura que pode existir em qualquer atividade humana é a de arrogância com incompetência. E se isso acontece em saúde e medicina, passa a ser um desastre pela complexidade da atividade, pela fé que as pessoas depositam no agente direto de saúde (Médicos e Paramédicos), em que a desconfiança, mentiras e promessas ilusórias passam a fazer parte de um ambiente malévolo.
O paciente precisa de segurança, competência e sinceridade na condução das diversas situações clínicas, principalmente nas suas agruras. E o que paira hoje?
Uma das verdades foi escancarada pela pandemia de COVID, em que ficou o cidadão prejudicado pela falta do bom uso do que existia para seu atendimento policlínico e por um manejo da doença tal forma que colocou Barretos vergonhosamente no mapa de única região com o pior controle 15 dias atrás.
E aqui não há desculpas. O recurso financeiro veio farto em patamares de 47 milhões para cuidar do COVID, que foi, repito, o pior desempenho do Estado de São Paulo e dos piores níveis de morbimortalidade na média brasileira. Isso dito publicamente por um empresário gestor da Santa Casa, como se nada tivesse a ver com a situação.
É inaceitável que a população barretense, desprovida de planos de saúde, não possa ter o atendimento digno por profissionais experientes, especialistas e conhecidos de cada um, dentro de um hospital que é da Prefeitura, explorado por terceiros de forma como todos sabem: assustando e apavorando ao invés de socorrer com nível e segurança.
A questão passou das medidas. Santa Casa não pode tolerar gestão amadora, incompetente e arrogante como a que aí está. Diferente do que está acontecendo com inúmeros hospitais do mesmo porte e perfil.
Seria o caso do Prefeito retomar o hospital, adotá-lo como compromisso de função pública e definitivamente reequilibrar a sua missão. Caso assim não entenda, que o Governo do Estado estadualize, de vez, dando o merecido perfil que tem um Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto ou Hospital de Base de Rio Preto. E que recentemente Franca ganhou…
Há, sim, espaço para discurso eleitoral nesse sentido. Lutar para recuperação definitiva da qualidade da Santa Casa. Retomar o que foi estranhamente cedido por uma cínica cláusula de 30 anos de concessão que, no Direito Público, nem em teoria, se soe admitir.
É uma ridícula cláusula que jamais o Ministério Público poderia endossar e, estranhamente, endossou. E não há necessidade de aprofundar no debate e explicações. Basta usar do mesmo atributo grosseiro por quem apossou-se da entidade chamando indevidamente os médicos como praticantes de “medicina desonesta ou de meia boca”.
Porque agora, nos últimos três anos, o que se assiste é sim, uma “medicina rebaixada” ou “de meia boca”. E quem diz, é a própria população. A questão da honestidade fica por conta da explicação das destinações dos robustos recurso advindos dos Governos Estadual e Federal. Na averiguação de uma verdadeira promiscuidade de dinheiro público (oficial e de doações populares) geridos por entidades privadas.
O tema está aí…hoje, para o Prefeito Guilherme e ao futuro Prefeito que nascerá das promessas e plataformas de governo ora apresentadas nos discursos e debates.
O povo (o patrão sempre esquecido ou enganado) está assistindo promessas mirabolantes por oportunistas de plantão. Mas carente da qualidade e da indispensável segurança para suas vidas.
Com a palavra os senhores candidatos e o povo na hora de votar.

Dr. Fauze José Daher
ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos, ex Presidente da Assoc. Paulista de Medicina – Reg de Barretos, Membro do Corpo Clínico da Santa Casa Vereador Constituinte – 1989
Advogado

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