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Santa Casa: a realidade de uma assistência “crua” e a indiferença diante de consequências gravíssimas
As redes sociais acessíveis (e acessadas) pela população de Barretos, tem mostrado a insatisfação pelo atendimento hospitalar no âmbito da Santa Casa, que é o único hospital geral e público da cidade. Já se acumulam centenas de depoimentos e compartilhamentos de cidadãos da cidade numa clara “perda de paciência” diante de casos atendidos de forma desafortunada no hospital.
Por mais que o gestor obstrua o ingresso de pessoas no hospital, inclusive médicos, dificultando a oferta de informações sobre os pacientes (e com truculência, às vezes, nas portarias) está claramente exposta uma realidade inadmissível em qualquer hospital no planeta.
Das questões mais graves, é a assistência médica e cirúrgica (pasmem) estarem sendo supridas na grande maioria dos casos, por colegas médicos Residentes, SEM O DEVIDO APARATO DE ACOMPANHAMENTO POR PRECEPTORES, TUTORES, MENTORES E SENIORES, conforme é a regra criada pelo sistema de Residência Médica.
Não há intenção de pejorar o médico Residente. Longe disso. Trata-se de exigir que a verdadeira, importante e indispensável estrutura de ensino, treinamento e especialização seja ofertada pela instituição, coisa que aconteceu no passado e está totalmente deformada pela atual gestão assumida pela Fundação Pio XII.
Em resumo, esse Hospital Geral que é da Prefeitura, destinada ao atendimento da população geral, mormente, a mais carente está servindo unicamente para proveito de uma instituição privada como “ferramenta” de ensino de sua faculdade de medicina privada.
Não se pode admitir que o povo seja usado como objeto de ensino, sem a solução decente, digna e tecnicamente adequada de seus problemas de saúde. As decisões de cada caso clínico ou procedimento tem que passar pela análise de um preceptor ao lado do aprendiz ou residente.
Esse Corpo de Médicos aptos a ensinar, que seriam, repito, PRECEPTORES, TUTORES, MENTORES E SENIORES, são hoje (aqui) figuras “fantasmagóricas” uma vez que para cada uma das mais de 60 especialidades médicas seriam necessários um mínimo de 7 Mestres dessa natureza, totalizando 420, sendo que não se consegue elencar sequer um mínimo dessas importantes figuras para ENSINO E TRATAMENTO DIGNO DO PACIENTE.
Agora, o ápice da irresponsabilidade: marginalizar (e, hoje em dia, “barrando”) 150 médicos especialistas, experientes e gabaritados com base na “suma inteligência” do gestor ao apregoar, enquanto leigo na matéria, de que tais médicos apenas “aproveitavam-se do hospital” tornou-se, no mínimo, ridículo.
A questão chegou ao máximo limite da indiferença da Prefeita Municipal, aliás, de desempenho sofrível em todas as áreas. Silêncio do Ministério Público, da Defensoria Pública, da Câmara Municipal, cabendo a alçadas maiores uma rápida providência, dada a saturação da indiferença em nosso meio.
Seja pelo Governo do Estado, Corregedoria do Ministério Público, Procon, Polícia Federal, Ministério da Saúde, Comissão Nacional de Residência Médica, lembrando que o Ministério da Educação (MEC) precisa estar inteirado desse péssimo perfil de formação profissional de âmbito superior.
Razão maior de todas: o povo não pode ser sacrificado em seu direito de pleno atendimento de saúde, sendo tecnicamente o “dono” do Hospital (Santa Casa), não sendo justo ficar submetido a um desqualificado atendimento, em pleno século 21.
Até quando…???…é a pergunta que tem sido feita nos últimos anos.
Dr. Fauze José Daher
Gastro-Cirurgião
ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos
ex Presidente da A.P.M. Regional de Barretos
Advogado