Ir para o conteúdo

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Artigos

Santa Casa: a farsa de uma intervenção oportunista e nefasta à população SUS

Há 5 anos a Santa Casa foi estranhamente cedida ao uso do Sr. Henrique Prata em nome de “salvá-la” de um eventual fechamento, que jamais iria acontecer se estivesse sob o domínio da Prefeitura Municipal.
O referido concessionário do uso do hospital, aceito pelo prefeito da época, sem qualquer processo licitatório, apenas assim procedeu porque sua faculdade particular de medicina seria fechada no 5º ano de funcionamento porque não possuía um hospital escola.
Um fato registrado publicamente, é que o Sr. Henrique Prata considerou 90 por cento dos médicos do hospital (estendido aos das UBS) como aproveitadores da entidade e sendo de baixa qualidade profissional. Chegou a chamar os profissionais de saúde como praticantes de uma medicina desonesta e de 5ª. categoria.
Não bastando isso, criticou todos os provedores e mesários de décadas anteriores como incompetentes, colocando dúvidas em suas probidades nas gestões.
Cuidou de afastar todo o Corpo Clínico especializado, qualificado e, então, digno da medicina praticada e oferecida a toda a população incluindo, principalmente, o paciente SUS.
Cinco anos após, encontramos um hospital em dificuldade administrativa jamais vista, usado para interesse de ensino de sua faculdade particular, sem corpo clínico qualificado, colocando os pacientes usuários nas mãos de jovens médicos sem o devido preparo técnico. Dupla irresponsabilidade: perante os pacientes e aos próprios médicos aprendizes e iniciantes.
Prometendo que em 2 anos a transformaria na melhor Santa Casa do Brasil, estando hoje colocada nos patamares de atendimento regredido aos anos 60 do ano século passado, em que os pacientes têm que ser encaminhados para fora para tratamentos elementares.
A realidade atual: a Santa Casa que era referência regional para 18 municípios hoje tem o perfil típico de um hospital de 2ª. linha, nível de pequenas cidades e transformando o hospital de Bebedouro como centro de atendimento de toda a região administrativa.
A gravidade: o próprio Sr. Henrique Prata tomou de Barretos essa primazia de ganhar do Estado um hospital, tirando o que seria de Barretos, levando-o para Bebedouro e, agora, fazendo-a (Bebedouro) funcionar como polo central.
Na prática há o abuso desse prejuízo ao povo mais carente, que tem custado sofrimento e vidas pela incompetência do gestor, na área de Medicina Policlínica, transformando os pacientes em “bonecos de ensino”, em mãos de aprendizes, com péssimo nível na qualidade e no volume de atendimento.
Essa denúncia tem sido feita seguidamente, e assusta a frieza das autoridades diante desse abuso e prejuízo à população. Tem havido um silêncio, pela inércia do governo municipal e passividade da população que já não mais ignora essa triste realidade, sofrendo com as graves consequências.
Torna-se urgente uma atitude do Governo Estadual ou Federal diante da gravidade da grande população exposta aos danos no atendimento hospitalar em benefício do explorador da entidade em constante reclamação por recursos, que sempre foram abastados e raramente, senão nunca, tendo as contas prestadas.
Em resumo, um hospital que foi centro regional qualificado de atendimento, sendo explorado e tendo degradada a qualidade do atendimento a níveis que remontam aos primórdios do século passado.
A pergunta persiste (e insiste): até quando irá esse prejuízo ao paciente SUS e a indiferença das autoridades?

 

Dr Fauze José Daher é Gastro
Cirurgião e Vídeo/Endoscopista,
Médico do Trabalho, Ex Diretor
Clínico da Santa Casa de
Barretos e Advogado

Compartilhe: