Ir para o conteúdo

domingo, 03 de maio de 2015

Artigos

Reuso de águas pluviais: preservação ambiental e oportunidade de negócio

Atualmente, nota-se uma crescente preocupação com a longevidade dos recursos naturais, dentre os quaiso que mais demanda atenção especifica é a água. Essa afirmação embasa-se no crescente número de produções e estudos científicos a respeito deste tema. Apesar de historicamenteser considerada a mais abundante substância presente na crosta terrestre, sabe-se que essa “presença abundante” não é uniforme é não mais atende os patamares de antigamente.
Estudos recentes demonstram que a valorização dos recursos hídricos era ínfima até meados da década de 1990, período esse no qualexistia a crença de que os recursos seriam infinitose a mesma era tida como verdadeira. O crescimento rápido e desordenado da população e dos grandes centros urbanos, provocou um abrupto aumento da demanda hídrica mundial, aumento esse que desmistificou a crença na despreocupada longevidade dos recursos hídricos, colocando a população em alerta frente a uma possível racionalização na sua distribuição.
Se for levado em consideração que a existência do ser humano e grande parte das atividades econômicas estão ligadas à disponibilidade considerável de água, nota-se que a preocupação com esse importante recurso aconteceu tardiamente, sendo que muitos estudiosos da área afirmam que o atual quadro de desabastecimento demoraria até quinze anos para normalização, considerando índices normais de precipitações pluviométricas.
Junto desse desabastecimento, aflorou na população atingida a vontade de amenizar o problema de alguma forma, vislumbrando a possiblidade do reuso de águas pluviais, popularmente chamadas de água da chuva.
De acordo com Nilton Brito Cavalcanti, em sua obra “Em Busca de Água no Sertão do Nordeste, escrita em 2002,o reuso de agua da chuva há muitos anos é praticado pela população concentrada no Nordeste brasileiro, na forma de captação via cacimba, fato impulsionado pelo extenso período de estiagem enfrentado naquela região.
O reuso de água praticado nas regiões Sul e Sudeste difere-se do citado anteriormente. Essa prática, muitas vezes sem nenhuma instrução técnica, consiste no acúmulo das águas em recipientes colocados sob a chuva. A não vedação desses recipientes após a coleta, acarreta a proliferação de vetores transmissores de graves doenças como a dengue, chicungnia, febre amarela entre outras.
É fato que o reuso de água da chuva trata-se de um importante ativo de preservação ambiental, embora não pode e não deve proporcionar problemas de saúde pública (SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE/SP, 2015).
Paralelo a esse despreparo populacional ao reuso de água, surge uma latente oportunidade de negócio, já vislumbrada por alguns empreendedores do ramo de materiais de construção, que é a venda e instalação de equipamentos adequados para armazenagem e reuso de água da chuva.
Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção(2014), a venda dos equipamentos pertinentes à armazenagem e reuso de água da chuva, cresceu 29% no segundo semestre de 2014, ocasionando falta desses produtos em alguns momentos e,consequentemente, uma relativa alta em seus preços, obedecendo,assim, a famigerada lei da oferta eda procura.
Apesar do reuso de água de chuva ser um importante fator na prevenção do desabastecimento de água, é necessário lembrar que, mesmo captada de forma adequada, com os equipamentos pertinentes, a água da chuva, sem passar por uma desinfecção adequada, deve ser utilizada apenas para fins menos nobres, ou seja, não deve ser utilizada para o consumo humano. Essa água deve ser utilizada para limpeza de edificações, irrigação de jardins, dessedentação de animais,fins recreacionais, limpeza automotiva, e outros, desde que não coloque em risco a saúde.
Dessa forma, nota-se que por mais interessante e ambientalmente viável que o reuso de água possa parecer, este procedimento não deve ser praticado sem a intervenção técnica, e, sim, com a utilização adequada de equipamentos pertinentes. Notou-se, também, que frente a um extenso e preocupante problema enfrentado pela população, o desabastecimento de água potável, aflora-se uma rentável oportunidade de negócio, que segundo a Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Porto Alegre – RS (2015), traz uma margem de lucro significativa.
 
Eduardo de Carvalho Machione. (Graduado em Administração/UNIFEB – Especialista em Gestão de Negócios/USP – Mestre em Tecnologia Ambiental/UNAERP) Coordenador de Pesquisas da Faculdade Barretos. Docente da Faculdade Barretos.
 
Marco Antonio Lopes. (Graduado em Eng. Elétrica/UNIFEB e Direito/Faculdade Barretos – Especialista em Didática do Ensino Superior/UNIFEB e Direito Previdenciário/UNOPAR – Mestrando em Matemática/UNESP). Docente da Faculdade Barretos.
 
José Francisco Nogueira Neto. (Graduado em Ciências Contábeis/FISO – Especialização em Gestão Financeira e Orçamentaria/FISO – Mestrando Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente/UNIARA). Docente da Faculdade Barretos.
 
Vizette Priscila Seidel. Graduada em Letras/UNESP – Especialista em Estudos Linguísticos/UNIFRAN – Mestrado em Letras/UNESP). Docente da Faculdade Barretos.
 
Marcelle Queiroz de Almeida Silva Moreira. (Graduada em Administração/Faculdade Barretos).
 
 
Dicas de Leitura:
 
Nilton de Brito Cavalcantiet al.- Em Busca de Água no Sertão do Nordeste (2002)
 
Marcelle Queiroz de Almeida Silva Moreira; Eduardo de Carvalho Machione – Análise da Viabilidade Econômico-Ambiental da Implantação de um Plano de Conservação e Reuso de Água em Edificações de 300m2 (2014).

Compartilhe: