Ir para o conteúdo

terça-feira, 06 de junho de 2017

Artigos

Renúncias

A minha reflexão de hoje é sobre a dificuldade de desvinculação da vida que o dependente químico estava habituado a viver quando ele procura por tratamento para uma mudança de vida.
Todos nós, seres humanos, nos deparamos com oportunidades, caminhos a serem seguidos ao longo de nossas vidas e a partir desse momento devemos fazer escolhas de acordo com nossos objetivos, de nossas “procuras” e quando escolho uma ou outra estou ao mesmo tempo fazendo renúncia, optando por uma e excluindo ou ignorando a outra, consciente das consequências de ambas.
Quando falamos em dependência química o processo de escolha e renúncia ocorre desde a primeira vez que o indivíduo faz o uso; opta pela droga ao invés da família, pela droga ao invés da sobriedade, ao invés do compromisso profissional. (Não estou me referindo ao usuário experimentador, usuário eventual, mas sim do DEPENDENTE QUÍMICO).
E pensando em tratamento observamos a renúncia de sua escolha anterior, ou seja, está optando por uma mudança de vida ao invés de manter-se na vida que estava vivendo; optando por um melhor relacionamento familiar ao invés de manter o uso e se distanciar cada vez mais da família; escolhendo restabelecer-se profissionalmente ao invés de continuar usando drogas.
Mas assim como foi dito tanto a renúncia quanto a escolha acarretam consequências, tanto positivas quanto negativas. Por exemplo, sair do mundo das drogas muitas vezes está associado a não frequentar os lugares que frequentava quando estava no uso e isso muitas vezes mostra despreparo para o indivíduo se readaptar.
Um exemplo muito comum é a dificuldade de mudanças dos pensamentos e comportamentos durante o processo do tratamento, muitos destes estão enraizados e exigem esforço para desmitificar a ideia de que é só dessa ou daquela forma possível de resolver um problema.
Devemos, enquanto profissionais, conscientizar essas pessoas sobre a escolha e renúncia, sobre definir em busca do que ela está e sobre o que poderá acontecer se mantiver esses pensamentos e comportamentos. Sabemos que a mudança não ocorre rápida e imediatamente e também que nesse processo poderão ocorrer recaídas, “deslizes” que são importantes para observar o que ainda precisa ser fortalecido. O indivíduo só alcança a mudança quando ele começa a refletir sobre ela, sobre as possibilidades que existem e então começar a praticar.
Não podemos desconsiderar que essas atitudes atuais foram sendo construídas ao longo de muitos anos e que não é ao longo das semanas que se transformarão, mas o fundamental é foco, persistência e sabedoria para o sucesso!
“ Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos”.
Fernando Teixeira de Andrade
 
Gabriela Nunes Malosso
Psicóloga 
CRP 06/124683

Compartilhe: