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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Artigos

Reflexões sobre a depressão e os preconceitos que envolvem a doença

A luta de Pedrinho, comentarista de futebol, contra a depressão profunda

Copa do mundo de 2022 batendo na porta. O universo do futebol se organiza para mais uma competição mundial que mexe com os nervos e emoção de milhares de torcedores espalhados pelo mundo. Muitas pessoas envolvidas para levar ao público os resultados de todo esse espetáculo. Porém, nesta semana, um dos personagens ligados ao esporte: o comentarista da Rede Globo, Pedrinho, ex-jogador de futebol, fez um relato dramático expondo sua luta contra a depressão profunda.
A depressão é uma doença que gera sintomas psíquicos e físicos que alteram o humor e a rotina, como tristeza, pensamentos negativos, desinteresse pela vida, dificuldade de concentração, alteração do apetite, alteração do sono, perda ou ganho de peso, sentimento de culpa, fracasso, entre outros. Inúmeros sintomas associados levam o indivíduo a se sentir cada vez mais vulnerável frente às questões emocionais.
O próprio Pedrinho confessa já ter sentido preconceito em relação à doença. Não entendia como uma pessoa milionária, bem-sucedida, bem relacionada e famosa, poderia sofrer de depressão. Aos 45 anos, a ficha caiu, e ele compreendeu que sofria de uma doença da alma. Outro ex-jogador que expôs sua condição emocional frente a um grande desafio foi o “fenomeno”, Ronaldo. Em entrevista ao programa dominical Fantástico, do dia 23 de outubro, relatou as angústias emocionais ao enfrentar a final da Copa de 1998 e que só começou a fazer terapia há três anos.

Depressão: a doença do século

Presente no mundo inteiro, a depressão é considerada a “doença do século”. As causas são diversas. Entre elas, podem estar: experiências do passado, pressões da vida contemporânea, fatores fisiológicos, como alterações hormonais e genéticas, entre outras. É preciso que toda a sociedade se conscientize para que os casos de depressão sejam tratados de forma séria e humana e, assim, melhoremos a qualidade de vida das pessoas. O acompanhamento é essencial para a correta classificação dentro dos níveis que a doença apresenta.
Ter depressão não é estar triste, é estar doente. Quem está depressivo e não consegue sair da cama não é preguiçoso, dorminhoco, nem está fazendo corpo mole, está recluso porque não tem condições de dar conta das atividades do dia a dia. Pânico, ansiedade e depressão não são frescuras nem chiliques – são quadros clínicos graves que precisam ser tratados.

Reflexões necessárias sobre a depressão

É preciso levar em consideração que a depressão é uma doença grave que necessita de tratamento e atenção profissional. O papel de todo aquele que deseja ajudar alguém com depressão, não é curá-lo, mas apoiá-lo para que consiga superar seu estado. Temos que estar atentos a alguns sinais importantes: Tristeza tem motivo. A pessoa sabe que está triste. A depressão é uma tristeza profunda e muitas vezes sem conteúdo, sem motivo aparente. Mesmo se algo maravilhoso acontecer ou estiver acontecendo, a pessoa continuará triste. A pessoa triste pode ter sintomas no corpo, como sentir aperto no peito, taquicardia, chorar. A pessoa deprimida tem pensamentos suicidas. Quem está triste costuma ter pensamentos repetitivos sobre a razão da tristeza e também, quando deprimida, a pessoa sente, pelo menos, duas semanas de uma tristeza profunda e contínua.
Enfim, a melhor forma de prevenir a depressão é cuidando da mente e do corpo, com alimentação saudável, alimentos ricos em nutrientes que conservam a rede de neurônios; atividades físicas regulares; gerenciar o estresse; compartilhar os problemas com amigos ou familiares; ter hobbies; viajar e se divertir. Essas práticas mantêm a cabeça ativa e a ocupam com pensamentos positivos. Cuidar do organismo reflete na saúde mental de forma positiva. Depressão é coisa séria e, se não tratada, pode levar a consequências irreversíveis.

 

 

 

Dra. Andrea Ladislau
Psicanalista

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