quinta-feira, 06 de agosto de 2020

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Reconhecer as oportunidades nas tempestades

Nas últimas semanas temos vivido sob o medo espalhado pelo Coronavírus ao redor do mundo. Caminhões do exército italiano carregando corpos das vítimas dessa epidemia, ruas desertas, igrejas com bancos vazios, portas fechadas entre outras cenas têm nos comovido e acredito que nos feito pensar um pouco na vida.
Até alguns dias atrás não se imaginava esse cenário de isolamento social e que essa doença se espalharia tão rápido assim. Planos, projetos, compromissos, eventos, tudo cancelado ou alterado. Esses fatos realmente nos convidam a pensar um pouco na vida, na forma em que a estamos conduzindo. Para que serviu dispensar tantos momentos em favor da tão famosa correria? “Ah agora não posso, estou numa correria, tenho tantas coisas para fazer…”. Talvez esse momento seja oportuno para revermos a importância que estamos conferindo às pessoas ao nosso redor e como estamos confiando nossas vidas ao Senhor. Será que não estamos confiando demais ou somente em nossas forças? Pelo o que estamos vendo os esforços humanos perecem facilmente…
Não é momento de desesperar-se, mas de aprender a esperar. É hora de lembrar que não existe somente o acelerador, existe também o freio para passarmos uma lombada ou valeta sem destruir o carro. Claro que a situação econômica nos preocupa, mas aproveitemos essa oportunidade de pausa para revermos alguns hábitos e atitudes que estão nos afastando de Deus, da família e dos irmãos. Aproveitemos esse momento para estarmos próximos com o coração daqueles com quem somos família, daqueles que nos são queridos, daqueles que necessitam de ajuda. Há quanto tempo você não conversava com calma com seus filhos, irmãos, pais ou avós, morando na mesma casa? Há quanto tempo não fazia uma oração em família?
Durante o momento extraordinário de oração, em tempo de epidemia, realizado no Vaticano no dia 27 de março, o Papa Francisco nos exorta: “O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais”.

Rezemos ao Senhor e a Virgem Maria pedindo o fim desta pandemia, paciência e sabedoria para atravessarmos essa tempestade e a graça de reconhecermos as oportunidades de mudança e conversão que este momento está nos oferecendo. Que ao surgir as dificuldades estejamos firmes no Senhor, atentos e solícitos àqueles que mais necessitam de ajuda.

Matheus Flavio da Silva
Seminarista

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