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terça-feira, 05 de março de 2024

Artigos

Recebi um diagnóstico de câncer, e agora?

Como o caso da cantora Simony nos leva a uma reflexão necessária

Dias atrás, a cantora Simony, de 46 anos, revelou que recebeu um diagnóstico de câncer no intestino. Ela, que fez sucesso na década de 1980, deu início ao ciclo de tratamento quimioterápico para conter e extinguir o tumor. Uma situação dolorosa que leva a refletir sobre a dinâmica e as implicações internas e externas de alguém que recebe um diagnóstico de um câncer (de qualquer tipo), afinal, receber esse diagnóstico, de forma equilibrada, não é fácil.
Aceitar e saber lidar com o medo, a insegurança em relação ao tratamento, a angústia diante de um futuro incerto, entre outras questões importantes neste momento tão delicado, sem dúvida alguma, é um grande desafio. O acolhimento da família, amigos, parentes e pessoas próximas é fundamental para que o paciente não se isole e não desenvolva, assim, doenças graves, como a depressão, por exemplo.
É preciso que o paciente reavalie seu estilo de vida e veja se há necessidade de mudança. Em alguns casos, a mudança pode ser por optar por hábitos mais saudáveis, mudando a alimentação, na medida do possível, sempre com recomendação médica, e buscar realizar algumas atividades físicas.
Temos que levar em consideração que a nova rotina de exames excessivos, as constantes visitas médicas, já trazem a esse paciente uma atmosfera de exaustão, cansaço e a sensação de que pode não dar conta, alimentando ainda mais a sensação de medo e insegurança com o que está por vir. Continue lendo e descubra como ajudar alguém próximo que tenha recebido um diagnóstico de câncer.

Como ajudar uma pessoa que recebeu diagnóstico de câncer

Podemos dar algumas dicas para que o cuidado e o olhar para este paciente seja o mais humanizado possível. Um ponto importante é buscar ficar mais próximo desse indivíduo. O ideal é demonstrar que não precisamos de grandes momentos para estarmos juntos, o essencial é aproveitar cada minuto e admirar as coisas simples da vida. É necessário incentivar o paciente a fazer o que gosta, ajudá-lo a tornar a vida mais leve e a valorizar os pequenos grandes prazeres.
Encontrar um propósito de vida, um foco para canalizar suas energias e esperanças, também é um dos motivos de sucessos aliados aos tratamentos oncológicos. É importante auxiliar o paciente a entender e redefinir o que realmente é fundamental e quais as pessoas ele deseja que estejam por perto. É a nova reformulação de seus valores e objetivos da caminhada que está iniciando.
Quando o paciente compreende que sua cura também depende muito de sua cabeça e de seu estado de espírito, da sua resiliência e postura em relação ao enfrentamento da doença, ele já sai na frente em ganho de melhoria de vida, qualidade e absorção de todos os benefícios que o tratamento pode oferecer, independente do tipo de câncer a ser enfrentado. É muito importante manter o pensamento positivo e acreditar que a cura é possível. Ficar lamentando não vai mudar absolutamente nada. A situação está ali, definida. É necessário buscar alternativas e forças para enfrentar, junto com o desejo de viver da melhor forma: bem e agora.
Enfim, assim relatou a cantora Simony: “não perca tempo e busque viver um dia após o outro.” Os cuidados com a saúde são essenciais. O diagnóstico não é uma sentença. O importante é seguir todas as recomendações do seu oncologista, realizar todos os exames indicados, tomar as medicações prescritas e buscar realizar hábitos de vida mais saudáveis. O equilíbrio mental também é fundamental, pois nossa mente é também grande responsável pela nossa cura e pelo nosso bem-estar. Não se entregar à tristeza, ao isolamento e à depressão farão com que o diagnóstico recebido seja encarado como um grande desafio de uma guerra a ser vencida.”.

 

 

Dra. Andréa Ladislau
Psicanalista

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