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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Artigos

Racismo causa efeitos no corpo e cérebro de crianças

O Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard concluiu que sofrer racismo ou ver pessoas com tons de pele semelhantes ao delas sofrerem o mesmo tipo de problema, causam problemas duradouros no corpo e cérebro de crianças.
Segundo a universidade, que compilou estudos de vivência cotidiana do racismo estrutural praticado de forma sutil ou evidente, crianças expostas a situações do tipo podem desenvolver um estado de alerta constante, chamado de estresse tóxico e, com isso, um desgaste do cérebro em desenvolvimento e outros sistemas biológicos. As regiões do cérebro ativadas em casos assim estão relacionadas ao medo, ansiedade e reações impulsivas.
Ainda de acordo com a universidade, grandes evidências apontam que o estresse tóxico está relacionado ao adoecimento da população negra nos Estados Unidos, uma vez que a vida delas são estatisticamente mais curtas, em todos os níveis de renda, tendo a maior incidência e doenças como diabetes e pressão alta. Além disso, no âmbito da saúde mental, em 2016, de cada dez suicídios de adolescentes, seis eram de jovens negros.
Os especialistas apontam que as raízes do problema são ainda maiores e também têm relação com o acesso a saúde e educação da população negra em relação aos brancos.
Mais uma vez, os números brasileiros apontam para um quadro parecido. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, 67% do público do SUS (Sistema Único de Saúde) é negro. No entanto, a população negra realiza proporcionalmente menos consultas médicas e atendimentos de pré-natal. Em um paralelo apurado pela BBC Brasil, é possível comparar a situação nos Estados Unidos ao que acontece no Brasil. Por exemplo: o Ministério da Saúde divulgou que 67% dos usuários do Sistema Público de Saúde (SUS) é negro. Porém, a população negra realiza menos consultas médicas e atendimentos de pré-natal proporcionalmente, comparado aos brancos.
Ainda de acordo com a universidade, os danos não atingem apenas as crianças, mas também afeta a saúde mental de seus adultos cuidadores e o racismo acaba criando um ciclo de dificuldades muito sérias.

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