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domingo, 08 de junho de 2014

Artigos

QUERER SABER PODER

Bom Dia Barretos. 
Sempre admirei, e muito, aqueles que sonham e lutam pelos seus ideais. Admiro, e muito, por exemplo, aqueles que têm o desejo de se tornarem médicos, mesmo sabendo que terão de passar 1/3 de suas vidas se preparando para tal. Aos 17 ou 18 anos terão que enfrentar um vestibular e, ao ultrapassá-lo, terão ainda pela frente mais 6 anos de faculdade, 2 anos de residência e mais 2 a 6 anos de especialização. Só então estarão preparados para exercer com êxito a profissão que escolheram. 
Terão então agrupado ao querer o saber, condição exigida para bem exercerem a profissão. Admiro também, e muito, aqueles que aceitam deixar de lado seus afazeres pessoais, e o aconchego do lar, para se dedicarem às causas públicas. Mas também para exercer um cargo público não basta apenas o querer, é preciso também saber como desempenhar bem essas funções, como controlar as finanças públicas, como lidar com as intrigas palacianas, como exercitar o poder, sem autoritarismo, mas com a firmeza que o cargo exige. 
E, administrar coisas públicas, bem como, as vaidades que a cercam, leva muito, muito tempo para se aprender, além de exigir uma dose cavalar de paciência. O poder não pode, nem deve ser absoluto, asfixiante, e sim compartilhado, sem que para isso se abra mão da competência de decidir. Quando se perde a voz de comando e se abre mão do poder de decisão, a estrutura administrativa começa a ruir e os sonhos vão se esfarelando, transformando-se num amontoado de desculpas e justificativas que de nada valem. 
Querer, saber e poder, têm que estar entrelaçados para que se obtenha êxito na missão que se propõe executar. E, assim ocorrendo fechar o ciclo de um mandato com realizações que embriagam a alma e dão a sensação prazerosa do dever cumprido. Mas, têm pessoas que se desviam da busca do prazer de realizar, e movidos pela ânsia de fazer crescer seu patrimônio, diga-se de passagem, de maneira pouco recomendável, metem os pés pelas mãos, seguindo por caminhos, que mais cedo ou mais tarde, conduzirão ao fracasso e ao descrédito. 
Quem retrata muito bem o que estamos falando é a fábula “A verdadeira riqueza”, que faço questão de aqui reproduzir: Um dia um homem, que acreditava na vida após a morte e que valorizava o SER mais que o TER, hospedou-se na casa de um materialista convicto, numa bela mansão de uma cidade europeia. Depois da ceia, o anfitrião convidou o hospede para visitar sua galeria de artes, e começou a enaltecer os bens materiais que possuía de maneira soberba. Disse que o homem vale pelo que possui, pelo patrimônio que conseguiu acumular durante sua vida na terra. Depois de ouvir e observar tudo calmamente, o hospede falou da sua convicção de que os bens terrenos não nos pertencem, e que mais cedo ou mais tarde, teremos que deixá-los. Argumentou que os verdadeiros valores são as conquistas intelectuais e morais, e não as posses terrenas, sempre passageiras. O materialista retrucou com arrogância que era o verdadeiro dono de tudo aquilo, e que não havia ninguém no mundo capaz de provar que aqueles bens não lhe pertenciam. Diante de tanta teimosia, o hospede propôs-lhe um acordo: – Já que é assim, voltaremos a falar do assunto daqui a cinquenta anos, está bem? – Ora, disse o dono da casa – daqui a cinquenta anos nós já estaremos mortos, pois ambos temos mais de 65 anos de idade! O hospede respondeu prontamente: – É por isso mesmo que poderemos discutir o assunto com mais segurança, pois só então você entenderá que tudo isso passou pelas suas mãos, mas, na verdade, nada disso lhe pertence de fato. Chegará um dia em que você terá de deixar suas posses materiais e partir, levando consigo somente suas verdadeiras conquistas, que são as virtudes do espírito imortal. E só então você poderá avaliar se é verdadeiramente rico ou não. O homem materialista ficou contemplando suas obras de arte, enquanto uma sombra de duvida refletia em seu olhar, antes tão seguro, enquanto uma voz silenciosa, íntima, lhe perguntava: – Que diferença fará, daqui a cem anos, se você morou em uma mansão ou num casebre? Se comprou roupas em lojas sofisticadas ou num bazar beneficente? Se bebeu em taças de cristal ou numa concha de barro? Se pisou em tapetes caros ou no chão batido? Se teve grande reserva financeira ou viveu com um salário mínimo? Que diferença isso fará daqui a cem anos? E, intimamente, ele já sabia a resposta: absolutamente nenhuma! 
Bem meus irmãos barretenses, creio que todos que administram, em qualquer nível de governo, quer federal, estadual ou municipal, deveriam ler a fábula “A verdadeira riqueza”. Talvez assim administrariam com um pouco mais de decência e de amor ao próximo.
BOM DIA BARRETOS. 

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