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sábado, 20 de julho de 2024

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“Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

Nas leituras deste domingo, a santa mãe Igreja encoraja seus filhos e filhas a confiar que Cristo está conosco em meio a todas as tempestades desta vida. A presença cuidadosa e amorosa de Deus nos momentos difíceis deve ser, para nós, motivo de celebração e agradecimento. A confiança em que não estamos sozinhos nas adversidades e provações é algo que nos enche de alegria.

No texto do Evangelho, em continuidade com o domingo anterior, Jesus, após ensinar a multidão com parábolas, leva seus discípulos para longe das multidões, subindo

no barco com eles para atravessar o mar da Galileia. O mar e sua área circundante são os cenários para os ensinamentos e milagres de Jesus nessa parte do Evangelho de Marcos. A leitura deste dia descreve que eles enfrentaram grande tormenta, porém Jesus é o Filho de Deus que tem autoridade e domínio para acalmar a tempestade em alto-mar.

Esse é o primeiro de quatro milagres que são apresentados em sequência nesse ponto do Evangelho de Marcos 4,35-41. Como é típico no Evangelho de Marcos, os discípulos de Jesus, no trecho deste domingo, fazem pouco para inspirar confiança no leitor, mostrando-se assustados com a tempestade repentina. Marcos observa o contraste entre o terror dos discípulos e a paz de Jesus. O Mestre está dormindo, sem se perturbar com o que está acontecendo ao seu redor.

As palavras dos discípulos são reveladoras. Eles estão suficientemente familiarizados com Jesus para se atreverem a acordá-lo. São palavras cheias de reprovação, questionando seu cuidado por eles. Um leitor atento poderia perguntar-se o que os discípulos esperavam que Jesus fizesse. Eles estão mais perturbados pela tempestade ou pela falta de atenção de Jesus às suas necessidades? Quantos de nós já repreendemos um membro da família ou amigo por não concordar com nossa avaliação da gravidade de uma situação?

O Evangelho oferece evidências do poder e autoridade de Jesus ao mostrá-lo acalmando a tempestade. O poder sobre a natureza era considerado um sinal de divindade – somente Deus acalma tempestades. A repreensão de Jesus à tempestade também ecoa sua repreensão ao expulsar demônios. Em cada situação, seu poder e autoridade são um sinal de sua divindade. De fato, os discípulos ficam se perguntando sobre a identidade de Jesus até o final do relato. Eles veem diante de si um ser humano que age com a autoridade e o poder de Deus. A incerteza dos discípulos sobre a identidade de Jesus é um tema recorrente no Evangelho de Marcos e um constante chamado a reconhecer sua divindade.

(Vida Pastoral, Paulus, n. 357)

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