domingo, 09 de agosto de 2020

Artigos

QUEBRA DE PARADIGMAS

Caro leitor,
Nestes tempos de pandemia da COVID – 19, em nossas raras saídas à rua, afinal, somos do grupo de risco, e ao assistirmos aos noticiários da TV, notamos, frequentemente, o uso, pela população, de máscaras faciais, um dos cuidados preventivos contra a disseminação do ‘coronavírus’, e a relutância de parte da mesma em usá-las de forma correta, como: uns cobrem a boca e deixam o nariz de fora, outros penduram na orelha, colocam no queixo, carregam na mão, tiram para falar ao celular, para fumar ou para conversar com as pessoas. Isso causa a ineficácia da medida. A máscara deve cobrir a boca e o nariz para proteger a si e aos outros contra o virus. É necessário não confundir ‘o usar’ com ‘o portar’. A quem querem enganar? A fiscalização, já que é obrigatório, ou o vírus?
Essa resistência tem um nome: ‘Paradigma’, por levar as pessoas a sair da zona de conforto, superar o que estava pré-estabelecido, enfim é uma mudança comportamental. Segundo Thomas Kuhn (1922 – 1996), em sua obra ‘A Estrutura das Revoluções Científicas’, paradigma é uma estrutura mental composta por teorias, experiências e métodos que serve para organizar a realidade e seus eventos no pensamento humano, ou seja, é um padrão. O rompimento com esses padrões, com as ideias anteriores, a criatividade e a inovação e ajustar seu olhar sobre o novo, dá-se o nome de ‘quebra de paradigma’. O experimentar o novo, o pensar diferente, superar o modelo antigo e enfrentar desafios demandam certo tempo.
Então vejamos, há cerca de alguns anos, a lei de transito impôs o uso obrigatório de capacetes para os motociclistas, visando proteger a vida deles em caso de acidente e ou queda. No entanto, tal medida criou certa celeuma entre os condutores: aqueles que aceitaram facilmente e outros que não aceitavam as mudanças. No começo, com medo das multas, os motociclistas portavam o capacete, mas não o usavam na cabeça, uns amarravam no bagageiro, outros vestiam em seus braços, colocando-os no cotovelo; outro exemplo, é a questão do progresso tecnológico, evolução dia a dia da Internet e outros avanços, que vieram para ficar. Claro que as pessoas, principalmente, as de certa idade, não conseguem acompanhar e se adaptar aos novos conceitos de escrever e de se comunicar e a maioria prefere manter-se distantes das inovações e lembrar com saudade do lápis, da caneta, da borracha, do papel carbono, da máquina de escrever, do telefone fixo etc.
Desta maneira, vemos as dificuldades das pessoas em usarem corretamente as máscaras, pois é uma coisa nova em suas vidas, aliando-se a isso, o descrédito às medidas e o negacionismo da pandemia, visto que, o governo baixou um decreto determinando a necessidade e a obrigatoriedade de usá-las por questão de saúde pública, mas as pessoas não acreditam que isso irá resolver o problema e que o vírus jamais os atingirão, até que aconteça um caso próximo a elas como um parente ou amigo.
Previna-se. Fique em casa! Caso necessite sair, use a máscara corretamente!

José Antonio Merenda
Ator, diretor teatral,
historiador e
Presidente da ABC –
Academia Barretense de Cultura

Compartilhe: