terça-feira, 14 de julho de 2020

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Qual é a pauta?

É necessário admitir, o Brasil não apresenta um norte para enfrentar os próximos anos. Dentre uma série de efeitos e consequências a pandemia veio para mostrar a fragilidade, o despreparo e o desamparo do país para lidar com os desafios da década. Fato é que hoje não dispomos de infraestrutura social e econômica para encarar os efeitos de uma economia capitalista globalizada. No que isto implica? Em termos práticos, sempre estaremos vários passos atrás das principais nações do planeta, circunstância esta gravíssima.
Desafio o leitor a propor um bate-papo informal com qualquer cidadão e questioná-lo sobre a pauta do país. Provavelmente, a resposta será obscura e sem definição. Novamente, isto é grave.
A pandemia nos indicou claramente vários aspectos culturais responsáveis por atrasar o progresso da nação, valendo listar alguns deles: (i) de modo geral, o brasileiro não acredita na ciência, vide o descaso promovido pelo Chefe da Nação quando do recebimento das diretrizes indicadas pelo Ministério da Saúde; (ii) lamentavelmente conseguimos politizar a ciência, ao passo da prescrição de medicamentos deixar de cumprir os procedimentos indicados pelas autoridades sanitárias e passar a ser mero deleite político; (iii) não há estrutura de Federação, bastando observar os inúmeros desacordos estabelecidos entre os governos federal, estadual e municipal durante o enfrentamento da pandemia, fato este ainda presente; (iv) o Poder Judiciário foi e está sendo chamado por inúmeras vezes para decidir sobre eventos e/ou circunstâncias decorrentes da falta de capacidade daqueles eleitos pela população em promover a boa gestão pública e a tomada de decisão; (v) quando do início da pandemia, nosso parque industrial não apresentava infraestrutura mínima suficiente à produção de equipamentos para o abastecimento de hospitais e da população, como por exemplo a produção de máscaras, ficando nítida a nossa dependência da China; (vi) grande parcela da população não dispõe de saneamento básico para poder cumprir as orientações de isolamento com dignidade; (vii) parcela considerável das escolas públicas não podendo desenvolver seu conteúdo programático em razão dos alunos não possuírem internet ou computador em suas residências; dentre outros.
A pandemia vai passar, ou como muitos especialistas indicam estaremos diante de um “novo normal”, e o questionamento ressurge, qual é a pauta socioeconômica para o Brasil? Caso você não tenha essa resposta, não se sinta mal ou desinformado, pois isto é o reflexo de uma série de informações jogadas desorganizadamente.
Se por um instante conseguirmos deixar de lado a questão da COVID (vale destacar, simplesmente pelo desenvolvimento lógico da reflexão), temos hoje que o Brasil está entre as quinze principais economias do mundo, circunstância esta decorrente da capacidade ímpar do país em processar com modities e gerenciar o segmento rural.Aqui vale outra provocação, ao pensar no trabalhador rural tradicional diante de todo este processo evolutivo e tecnológico que este segmento está enfrentando, face o cenário atual, tal profissional estará habilitado suficientemente para permanecer no mercado a longo prazo (não me refiro ao condicionamento físico para o desempenho das atividades, mas sim ao conhecimento técnico necessário para lidar com a tecnologia)? Evidente que não. Portanto, ao considerar a forte recessão econômica a ser enfrenta da em decorrência da pandemia e o contexto atual da sociedade suportados pelo país, há a necessidade urgente de reordenar os ponteiros e propor novo acordo federativo.
O desafio é complexo, mas o primeiro passo para a evolução é a aceitação.
A meu ver, a reorganização do Estado deve ter como valores centrais as seguintes diretrizes:
a) Educação.A primeira delas, e a mais importante, a formação pessoal e profissional do cidadão, livre de ideologias e orientada à boa técnica. Neste contexto, nos primeiros passos da trajetória escolar,consolidar a relevância de duas disciplinas,o português e a matemática, atreladas ao ensino da língua inglesa em conjunto com a tecnologia (no atual cenário, a conjugação destas concederá ao aluno os alicerces para o entendimento efetivo das outras disciplinas durante toda a sua trajetória acadêmica, a viabilidade de explorar com maior riqueza de detalhes os fundamentos culturais de outras nações e, principalmente, a oportunidade de exercer seus direitos e deveres como cidadão sob uma perspectiva mais ampla, concedendo a este a chance de se posicionar adequadamente no mercado de trabalho);
b) Ainda na pauta educacional, repensar o aprimoramento da relação estabelecida entre os institutos de educação e as necessidades oriundas do mercado de trabalho;
c) Combate e redução da desigualdade social, incluindo aqui a temática referente ao saneamento básico;
d) Revalorização das profissões e carreiras, com melhores condições de trabalho e remuneração;
e) Combate à Corrupção.Consagrar o entendimento de que a finalidade principal da função pública é a de servir a nação e não a de obter vantagem, em todos os níveis e sentidos, por meio de condutas ilegais ou fraudulentas. Outra pauta importante, também, é a necessidade de promover a efetividade dos Programas de Ética e Integridade estabelecidos pela legislação no âmbito dos Estados da Federação;
f) Realinhamento político.De fato, reafirmar a importância do equilíbrio e harmonia entre os três Poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário) para suprir as efetivas necessidades estruturais e econômicas do país, com o consequente estabelecimento da ordem e do progresso.
Apesar de toda a dificuldade conseguiremos atravessar esta forte onda de tristeza epessimismo que paira sobre a nação, mas não restam dúvidas, estamos atrasados na reorganização do país e não há mais tempo a perder. E para você, qual deve ser a pauta?

Diogo Viniccius Quintans
Guapyassu

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