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Qual a questão maior do momento?
Com o fim do recesso parlamentar, o Congresso Nacional retoma suas atividades, num ano em que o tema da corrupção continua na ordem do dia. A cada dia a Operação Lava Jato avança em novas investigações, inclusive envolvendo o ex-Presidente Lula. Isso mostra que realmente as nossas instituições estão funcionando. Como bem disse a ministra do STF, Carmem Lúcia, a corrupção não vai ter a palavra final, e será contida. Seria utopia pensar que seria erradicada totalmente, mas como afirma o juiz Sérgio Moro, em seus pronunciamentos, se não podemos acabar de vez com a corrupção, pelo menos temos que encontrar meios de impedir a impunidade, e acabar sim com os abusos. Afinal, principalmente em se tratando de dinheiro público, temos que ter respeito para com o contribuinte brasileiro, e queremos uma democracia que garanta efetivamente que os recursos dos impostos (o Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo e uma tributação bastante pesada) sejam aplicados em infraestrutura e serviços que atendam as reais demandas do povo.
O fato é que o povo brasileiro está cansado, e certamente a crise que vivemos não é somente política e econômica, mas também moral, talvez mais moral ainda, porque as pessoas ficam cada vez mais céticas em relação à política, em meio a tantos escândalos que se sucedem, há mais de dez anos só se fala em mensalão e petróleo, etc. E o que vemos? O governo interessado em aumentar mais impostos, por exemplo, com a famigerada CPMF (entra ano, sai ano, e o governo insiste na CPMF como se fosse uma panaceia), e ainda agora com a reforma da Previdência, querendo ampliar a idade para a aposentadoria. Segundo o ministro Jacques Wagner, essa será a prioridade de Dilma Roussef em seu governo, não se importando com sua popularidade, querendo deixar a reforma da Previdência como seu legado.
De qualquer forma, o ano deverá ser intenso politicamente, ainda mais porque após as Olimpíadas, haverá eleições municipais. Tudo isso deve exigir maior atenção do povo, e também acompanhamento da situação, participação e também mobilização. É assim que estaremos contribuindo para o amadurecimento da nossa democracia, e ainda ajudando a fortalecer as nossas instituições. Esperamos que consigamos deter os abusos daqueles que usam os recursos públicos para proveito próprio, e que o Brasil volte a se desenvolver, com lideranças públicas realmente “ficha limpa” e comprometidas com o bem de todos. O problema magno é:como reconquistar a confiança da sociedade e ,em particular,dos investidores?Com Dilma?Sem Dilma?Com nova eleição presidencial ou sem ela?
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá