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terça-feira, 16 de abril de 2024

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Professor sempre…

Estimado leitor, você se lembra da emoção que sentiu ao ler pela primeira vez? Consegue se recordar do momento que escreveu o próprio nome? Quais palavras te revelaram o mundo lúdico das letras ainda na primeira infância? Pode parecer exagero, mas há certas profissões que transcendem o rito da escolha espontânea de uma carreira para fins existenciais. Ou seja, abraçar uma atividade digna que garanta não só o sustento do indivíduo, mas lhe dê condições de formar uma família e, assim, seguir com a vida da forma mais honesta possível. Traduzindo: tornar-se um cidadão de bem que, de alguma forma, contribuirá, dentro do seu cotidiano de trabalho, com o engrandecimento do País.
Sob esse viés, talvez, a profissão de professor esteja nesse contexto, pois todos — governo e sociedade — são unânimes em afirmar que ensinar é mais do que uma arte, é uma nobre missão que marca a vida de cada aluno, ao longo de sua formação acadêmica. Por isso, quem ensina, ensina para a vida toda! A Pedagogia evidencia que a prática docente é um misto de magia, encantamento, descobertas e aberturas de caminhos, a fim de relevar aos alunos um porvir repleto de muitas oportunidades. Mas, de certo modo, além de gerar sonhos, também cria expectativas e ansiedades.
Além disso, é preciso despertar no alunado o senso de responsabilidade, mostrar às crianças e aos adolescentes que viver é ir ao encontro dos compromissos e encarar desafios do cotidiano, saber administrar as frustrações momentâneas, a fim de se tornar um adulto independente. Tudo isso, claro, sem perder de vista a ternura e o prazer da convivência. No entanto, nem tudo são flores na rotina escolar. Quem leciona sabe que também há os espinhos.
Desse modo, há muitos obstáculos a serem superados, tais como: combater a apatia estudantil, evitar o bullying, reduzir as conversas, além administrar o uso do celular. Essa última parte, talvez seja a mais desafiadora, porque esses aparelhos estão inseridos em todos os ambientes da sociedade, e a escola não é diferente. No entanto, estudos britânicos são enfáticos no que tange ao comprometimento dos aspectos cognitivos e sociointerativos do corpo discente. O problema é que, atualmente, nem todos os pais são parceiros da escola, nesse processo. Ou seja, não orientam seus filhos sobre o uso adequado dos celulares, não observam se as tarefas estão em dia ou, ainda, como os filhos se comportam na escola. Diante desse cenário, estudos apontam que poucos jovens, nos dias de hoje, desejam seguir essa carreira, pois sabem que vão encarar sérios desafios, já que se trata de uma atividade humana complexa, que envolve muitas responsabilidades.
Afinal, o educador, em sala de aula, lida com seres humanos ainda em formação, ou seja, muitas vidas estão sob seu comando, durante um longo período do dia. Isso exige do profissional muita energia e paciência na hora de estabelecer limites, pois muitos pequenos chegam à sala de aula sem essa noção. Desse modo, no início, algumas crianças enfrentam dificuldades para se adaptar às regras do ambiente escolar.
Apesar dos contratempos inerentes a qualquer profissão, talvez, uma das maiores satisfações esteja em acompanhar o progresso dos alunos e suas conquistas futuras. Logo, a máxima “professor uma vez, professor sempre” é factível, pois passe o tempo que passar, os professores jamais serão esquecidos. Mais do que isso, continuarão vivendo na memória do menino que, um dia, tornou-se adulto, e sabe muito bem reconhecer que foi graças à paciência, à dedicação e ao amor de uma professorinha, lá nos primeiros anos escolares, que pode entender que o conhecimento abre portas. Para finalizar nossa reflexão, recuperamos o pensamento de D. Pedro II: “Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”. Feliz Dia dos Professores!

 

 

a

João Alvarenga, professor de
língua portuguesa no Colégio
Politécnico, mantido pela Fundação
Ubaldino do Amaral (FUA)
com sede em Sorocaba

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