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quarta-feira, 24 de julho de 2024

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Primeiro Deus ama e salva; só depois é que pede

Os Mandamentos são palavras amorosas de um Pai. As dez Palavras começam assim: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão» (Ex 20,2). Este início pareceria não estar relacionado com verdadeiras leis que seguem. Mas não é assim!

Qual o motivo desta proclamação que Deus faz de si mesmo e da libertação? Porque só se chega ao Monte Sinai depois de ter atravessado o Mar Vermelho: primeiro, o Deus de Israel salva, e depois pede confiança. Ou seja: o Decálogo começa pela generosidade de Deus. Deus nunca pede sem dar primeiro. Jamais! Primeiro, salva; primeiro doa e depois pede. Assim é o nosso Pai, o bom Deus.

E compreendemos a importância da primeira declaração: «Eu sou o Senhor teu Deus». Há um possessivo, existe uma relação, uma pertença. Deus não é um estranho: é o teu Deus. Isto ilumina o Decálogo inteiro e revela também o segredo do agir cristão, porque é a própria atitude de Jesus que diz: «Assim como o Pai me ama, também Eu vos amo» (Jo 15, 9). Cristo é o Amado do Pai e ama-nos com este amor. Ele não começa por si mesmo, mas pelo Pai. Muitas vezes as nossas obras falham, porque começamos por nós mesmos, e não pela gratidão. E onde chega quem começa por si mesmo? Chega a si próprio! É incapaz de progredir, volta para si mesmo. É exatamente aquela atitude egoísta que, brincando, as pessoas dizem: “Essa pessoa é um eu, eu comigo mesmo e para mim”. Sai de si e volta para si.

A vida cristã é antes de tudo a resposta grata a um Pai generoso. Os cristãos que seguem apenas “deveres” denunciam que não têm uma experiência pessoal daquele Deus que é “nosso”. Devo fazer isto, isso, aquilo… Somente deveres. Mas falta-te algo! Qual é o fundamento deste dever? O fundamento deste dever é o amor de Deus Pai, que primeiro dá, depois manda. Colocar a lei antes da relação não ajuda o caminho de fé. Como pode um jovem desejar ser cristão, se nós começamos pelas obrigações, compromissos, coerências, e não pela libertação? Mas ser cristão é um caminho de libertação! Os mandamentos libertam-te do teu egoísmo, e libertam-te porque há o amor de Deus que te faz ir em frente. A formação cristã não está baseada na força de vontade, mas no acolhimento da salvação, no deixar-se amar: primeiro o Mar Vermelho, depois o Monte Sinai. Primeiro a salvação: Deus salva o seu povo no Mar Vermelho; depois, no Sinai, diz-lhe o que deve fazer. Mas aquele povo sabe que Ele faz tais gestos porque foi salvo por um Pai que o ama (Catequeses do Papa Francisco sobre os Mandamentos, junho 2018).

(Por: Papa Francisco)

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