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Precisamos falar sobre gordura no fígado
Olá!
A doença hepática gordurosa não alcoólica (ou doença hepática gordurosa metabólica) é um fator de risco independente e subestimado para a doença cardiovascular aterosclerótica. Tal condição está associada a adiposidade visceral (aumento da circunferência abdominal), dislipidemia aterogênica (ou seja, colesterol alto que acumula em artérias, levando a obstruções coronarianas) e resistência insulínica com ou sem hiperglicemia (o que aumenta em 4x o risco de diabetes).
Embora 10 a 35% dos casos de gordura no fígado possam levar a cirrose, câncer de fígado e insuficiência hepática, a principal causa de mortalidade nesses pacientes é a doença cardiovascular. Portanto, a identificação é um aspecto importante na prevenção e tratamento da doença cardiovascular e requer mais conscientização e por isso, a American Heart Association publicou seu primeiro posicionamento sobre o tema.
Veja alguns pontos abordados no documento:
1. Ultrassom hepática é útil se demonstrar, mas não pode quantificar e nem descartá-lo; A biópsia é o padrão ouro para o diagnóstico.
2. Medidas de TGO e TGO não são úteis para o diagnóstico;
3. O tratamento possui 3 metas: preservar a função hepática e prevenir a progressão para doença hepática terminal e carcinoma, prevenir e tratar complicações metabólicas como diabetes, dislipidemia (colesterol alto) e síndrome metabólica para prevenir complicações cardiovasculares;
4. A base do tratamento é a modificação do estilo de vida, incluindo exercícios regulares e hábitos alimentares saudáveis. Sabe-se que a quantidade de gordura no fígado é reduzida drasticamente após uma redução de 10% no peso corporal e melhora pode ser observada com uma redução de apenas 5% do mesmo.
5. Qualquer quantidade consumida de álcool aumenta o risco de progressão da doença e portanto, deve ser completamente evitado.
Um ótimo domingo e até o próximo!
Daniele Rezek
Cardiologista
CRM 145.887
RQE 64.850