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domingo, 15 de janeiro de 2017

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Precisamos de orações, não de fofocas

Diante desta expressão do Papa Francisco, qual seria então a diferença entre oração e fofoca? Se a fofoca é, em sua maioria, algo que falamos a alguém sobre alguém, comumente em sentido negativo, por sua vez, a oração é algo que dissemos a Deus sobre si ou sobre os outros, positivamente.
A diferença está estritamente no modo e na intenção do discurso. Quase sempre o conteúdo do discurso da oração é o mesmo da fofoca, evocando assim a mesma realidade; isto é, sempre um fato concreto da realidade humana: uma alegria ou uma tristeza, uma gratificação ou uma necessidade. Entretanto, o modo de evocar estas situações concretas da vida humana pode diferenciar-se.
O modo da oração é sempre empenhado pela caridade fraterna, enquanto a fofoca, muitas vezes, é marcada pela simples publicidade da miséria alheia. Uma preserva a integridade pessoal, evocando o auxílio de Deus para que venha em socorro do necessitado; a outra faz por mera exposição pública da intimidade alheia. Enquanto a oração tem por intenção a restituição da dignidade pessoal, a fofoca visa denegrir e, consequentemente, desfigurar a imagem de alguém, quando não, simplesmente expor sua intimidade.
Que a oração é necessária não há dúvidas; uma vez que todos precisamos dos mais variados auxílios para bem viver. Já a fofoca em sua maioria nada acrescenta de significativo, senão promover a confusão e a humilhação pública de outros, além de satisfazer o ego de pessoas vazias que se preenchem tomando conta da vida alheia, à semelhança dos urubus, nutrindo-se de podridão.
 
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma
 

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