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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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POSTERIDADE – Alguém um dia perguntou-me: por que o senhor não escreve um livro?

Sorri e de imediato abri a porta dos fundos e lancei minha vista para os dias idos e vividos com a impaciência da idade e lembrei-me da mesma pergunta feita naquele tempo. Pensei…a posteridade é um tempo sonhado por muitos afogueados pela vaidade e presumida tentativa de marcar o nome. A minha posteridade seria agora se houvera atendido ao primeiro indagante. Não senti surpresa e nem emoção e nem contramarquei meus passos pela euforia de estar hoje na minha suposta posteridade. Eu sou eu, nada demais: “Gostaria de saber do sentimento entusiástico daqueles que escreviam maravilhosamente. Escreviam fácil porque as palavras fluíam como bagas bentas sopradas do além… uma complacência de Deus. Todos formavam a procissão dos protegidos e inspirados. Ungidos que eram, ilustres e mestres das palavras raras, se debatiam em rodas literárias pelo prazer da controvérsia. São gentes que Deus, enviou-nos para sondar-nos. Mas outros não serão enviados com a mesma verve, com o mesmo sonhar. O mundo quietou na sua geneabilidade. O tempo, professor genial, saber conceder ou negar regalias.
A posteridade dá uma idéia longínqua das realizações e de um futuro instável e sem promessas. O que fomos? Eu sou hoje, o ontem que me fazia sonhar. O tempo decorreu e o meu corpo, tronco alicerce da minha vida, carcomido pela longevidade deixou de florir na participação do dia-a-dia. As épocas se sucedem tão rápidas que nos descuidamos de apreciá-las. Muitas árvores nasceram, cresceram, floriam e murcham sem que sentíssemos o seu aroma. Quando tudo estiver cessado, restará da vida, o mito e a consciência de ter participado do convívio de todos e tudo, com a convicção atrevida de ter feito algo que nos identifique, senão teremos vivido passivamente a vida que nos permitiram viver. Baixado o pano da pantomima e decorrido o prazo ideal, cada um seria aquilo no intimo e não aquilo que representou… ilusório, fantasioso e suplicante. Meu Deus, basta de contemplações: Dá-nos a força e a sabedoria para sabermos de nosso real valor. “nós somos o que vós fostes e haveis de voltar a ser; como vós sois, o que nós já fomos e a que, nós podemos voltar a ser”.
Sei, meu Deus, que na vossa grande morada, os brigos bons são reservados aos que do Bem fizeram o seu mister e, que relegará ao subsolo, aqueles que do mal fizeram seu aprazimento. O que somos? Quantos de nós podemos examinarmos? A minha grande Fé, impregna meu coração com a simplicidade crédula que robustece minha alma e dá-me o poder e a certeza de desviar-me de todas dúvidas. Eu sou o arquiteto que traçou o meu evolutivo desenvolvimento e, tenho em Deus, o mentor que descortina todos os meus caminhos. Não preciso deixar nada á posteridade. “Não sei se Deus, me amaria menos pelo que fiz, ou mais pelo que deixei de fazer”.

WILSON BARONI

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