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PORQUE A JUSTIFICATIVA CRISTÃ ME BASTA?
O padre e sociólogo belga François Houtart, ex-professor da Universidade de Louvain, afirma, em entrevista televisiva Venezuela ancorada por 3 jovens marxistas, que adota um método marxista para melhor identificar o estado de servidão dos pobres diante da’ insensata’ classe capitalista. Sem coração, conforme sua Teologia da Libertação genuinamente latino-americana.
FrancoisHoutart, também meu inspirador in illotempore, caducou cientificamente. Como pode ser sacerdote católico e sociólogo marxista? Os seus imberbes entrevistadores bolivarianos instrumentalizam a Teologia da Libertação colocando juntos oves et boves (como se o Clodovis e mesmo o Leonardo admitissem o pressuposto marxista como explicação teórica de nossas sociedades capitalistas latino-americanas selvagens). O Houtart,que e’ teólogo ‘genérico ‘da Teologia da libertação , comete um tremendo equívoco epistemologico,ao afirmar, para agradar os marxistas de Cuba e da Venezuela, que adota a metodologia marxista para justificar sua visãodualista(opressoresxoprimidos) no diagnóstico da sociedade capitalista(como se houvesse a possibilidade de existir outro tipo econômico de sociedade).Para se identificar sociologicamente as sociedades nas quais a Igreja se divide entre institucional e profética não há necessidade de nenhuma análise marxista. A Igreja sociológica sempre conviveu com seus membros uns que se apegam à institucionalidade e outros à profecia. No caso judaico- cristão, isto ocorre seja no Antigo seja Novo Testamento. E sempre ocorrerá. Mesmo nos momentos mais podres da Igreja institucional o Espírito enviou profetas para chamá-la na pua, para reconduzi-la ‘a fidelidade da pregação deixada pelo grande Profeta judeu, Jesus Cristo. Para salientar a nítida escolha de Jesus em favor dos oprimidos diante dos opressores não há necessidade de se recorrer ao método marxista de interpretação da estratificação social, que reconhecia a existência simplista somente de 2 classes sociais: a burguesa e a proletária. Alguém tem coragem de afirmar ainda que hoje a sociedade e’ dividida em 2 classes sociais a não ser em Cuba e Coreia do Norte (a dominante e a dominada; a burocracia opulenta e o povo oprimido e sem voz) bem como em outros países ditatoriais não comunistas de direita capitalista ou pré-capitalista, que impõem uma sociedade dualista de opressores e oprimidos?Porfim, não se confunda a Conferência de Medellin de 1968, que condena governos das sociedades latino-americanas por serem insensíveis aos que menos podem que apela aos cristãos que dêem voz aos que não a tem, com certa Teologia da Libertação que se fundamenta em quadros de referência marxista. Padre Houtart, sejamos claros, Marx e Engels são peremptórios ao afirmar que toda e qualquer Religião e’ intrinsecamente ópio do povo. É lenitivo alienador utilizado pelos opressores para ‘consolar’ os oprimidos. Me desculpe: esse discurso de compromisso com as ditaduras comunistas e com o marxismo de ocasião não passa de utilização de laranjas intelectuais ‘a caça de otarios.Sejamos transparentes: os intelectuais católicos tem referenciais filosóficas e teológicas suficientes para rejeitar a exploração do capitalismo e se posicionar ao lado dos pobres e explorados. Os cristãos podem em casos concretos até se posicionar ao lado de marxistas e comunistas que defendem as boas causas. Entretanto, deixar-se dirigir por suas epistemologias e por sua agenda de luta política e’ demais. Se podemos beber na fonte de água limpa porque bebê-la em fontes turvas?
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá e Representa o Ensino Superior Particular na Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos do MEC.”.