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POR UM BRASIL DECENTE
Com a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a crise política se aprofunda, alcançando proporções preocupantes, tendo em vista o tamanho da corrupção estampada, a cada dia, por todos os meios de comunicação. Já decorreram dez anos desde o escândalo do mensalão, e o País afunda, cada vez mais, no lama da corrupção, com nunca visto antes em nossa História, ao menos com a dimensão como estamos vendo. Em meio a tudo isso, decorridos apenas cem dias de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff delegou a coordenação política ao vice-presidente Michel Temer, enquanto ocorreram as maiores manifestações de rua pedindo o impeachment e o combate à corrupção. Trata-se realmente de uma crise séria a que estamos vivendo, mais um teste para a nossa democracia. O fato é que toda esta crise deve ser resolvida dentro da normalidade democrática, pois o teste está justamente no vigor das nossas instituições, desafiado a encontrar as soluções dentro da ordem e da lei.
Por isso, muito tem sido cautelosos em relação à questão do impeachment, para que haja fatos irrefutáveis, cabendo aos órgãos competentes as providências de análise nesse sentido. Agora, que é preciso que o Congresso Nacional se posicione com medidas concretas de combate á corrupção, isso sim, precisa ser feito com urgência. Há diversos projetos de lei sobre reforma política, alguns de interesse do próprio governo (como o que defende o financiamento público de campanhas eleitorais), mas tudo isso não pode ficar apenas no campo do debate, mas da ação. As instâncias adequadas precisam dar respostas ao clamor das ruas. O que se pede é um Brasil decente, e mais uma vez a questão da ética na vida pública volta como uma bandeira ética e cívica, imprescindível.
O Brasil vive um momento decisivo, e as ruas indicam a necessidade de mudanças. Sabemos agora que as manifestações de rua são realmente espontâneas, e o verde e amarelo das ruas expressam o sentimento do povo brasileiro, de indignação com o que aí está, mas de esperança de um Brasil melhor. Temos então que apoiar os que pedem mudanças, estarmos atentos às reivindicações e cobrar das autoridades competentes, as iniciativas necessárias para – mais uma vez – passar o Brasil a limpo. É assim que iremos, cada vez mais, amadurecendo a democracia, num processo que requer constante atenção, para evitar os males e os abusos, e fazer valer os princípios e valores que façam garantir o bem comum, a paz e a justiça. Continuaremos sempre defendendo o Brasil para os brasileiros, que assegure a dignidade de cada pessoa em nosso País.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá e Representa o Ensino Superior Particular na Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos do MEC.”.