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sábado, 23 de outubro de 2021

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Por que vocês perdem o foco?

O caminho de busca pela maturidade desperta-nos a coragem do enfrentamento saudável que, as custas de muitos esforços, promove o desenvolvimento e favorece o equilíbrio, gerando pessoas adequadas e, consequentemente, realizadas.
Nunca se fez tão necessário ter presente estas questões, debruçando-se sobre elas de maneira consciente, livre e responsável. Muito embora, enquanto família humana, em muito tenhamos progredido, é notório, igualmente, a crescente perda de sentido, significado e propósito a existência, realidade que gera crises profundas.
A experiência desperta-nos a percepção acerca de uma das grandes dificuldades de nossos tempos: a perda de foco. Muitos aprenderam o que fazer, porque fazer, como fazer, com quem fazer…. Porém, não conseguem realizar. As razões desta debilidade estão para além das faculdades físicas, intelectuais ou econômicas; já não basta ser bonito, inteligente e abastado. A perda de foco revela-se um dos grandes empecilhos no caminho do desenvolvimento humano, tanto em nível individual quanto coletivo. Perdemo-nos, facilmente, em relação ao ponto de convergência.
Na escola do mestre Jesus, figura muito utilizada no universo organizacional como modelo de liderança, aprendemos de muitas formas. Tantas vezes elegemos como problema realidades que, no máximo, deveriam ser acolhidas como desafios, ou seja, como oportunidade para o crescimento. Outras tantas vezes desviamo-nos do mais importante, apegando-nos ao desnecessário, secundário e obsoleto. Assim, apresentaram-se os discípulos que, quando encontraram pelo caminho alguém que falava em nome de Jesus, mas que não pertencia ao seu grupo, proibiram-no, severamente.
O episódio narrado pelo Evangelista Marcos (Mc 9,38-43; 45.47-48) evidencia, com clareza, onde a perda de foco conduz os discípulos de Jesus de todos os tempos. Para além da dimensão estritamente religiosa/espiritual, este ensinamento pode ser aplicado às demais dimensões de nossa existência. Como se não tivessem o que fazer, os discípulos detêm-se a reparar o que e aos que encontravam pelo caminho. A energia investida em reparar as realidade e pessoas deveria ser investida naquilo que consiste o foco de nossa missão.
A preocupação em emitir juízos acerca do comportamento alheia revela o quanto os discípulos não compreendiam a universalidade da mensagem do Evangelho, assim como o quanto eram submissos a tentação do exclusivismo; tantas vezes exigimos ser tratados diferentemente, como se fôssemos melhores que outros. Perdidos e longe do foco, podemos escandalizar, ou seja, contradizendo o que pregamos. Dos escândalos barulhentos todos sabem; no entanto, os escândalos silenciosos, que agem como cupins, são os que mais destroem.
Diante das muitas razões e justificativas apresentadas ao não cumprimento da missão Jesus nos pergunta: Por que vocês perdem o foco? Por que não se dedicam, verdadeiramente, a fazer o necessário? Por que se detêm a julgar as pessoas? Por que estão a escandalizar? Se temos presente que a meta é o Reino e que isto significa fazer a vontade de Deus, retomemos o caminho sem perder o foco. Nem sempre será fácil, mas sempre valerá a pena!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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