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segunda-feira, 15 de abril de 2024

Artigos

Por que uma Campanha da Fraternidade sobre a “Amizade Social”?

Este tema se inspira na Encíclica Fratelli Tutti (Todos irmãos – de 03/10/2020) do Papa Francisco, inspirada em Jesus e, na história do cristianismo, em São Francisco de Assis. Na abertura da FT, o Papa se refere à viagem de São Francisco ao Egito, para um encontro com o Sultão Malik-al-Kamil: “Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: A visita exigiu dele um grande esforço, devido à sua pobreza, aos poucos recursos que possuía, à distância e às diferenças de língua, cultura e religião. Aquela viagem, num momento histórico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abraçar a todos. A fidelidade ao seu Senhor era proporcional ao amor que nutria pelos irmãos e irmãs. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quanto estiverdes “entre sarracenos e outros infiéis (…), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana, por amor de Deus”.

No contexto de então, era um pedido extraordinário. É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomenda evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma “submissão” humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé. Não fazia guerra dialética impondo doutrinas, mas comunicava o amor de Deus; compreendera que “Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus” (1Jo 4,16). Assim foi pai fecundo que suscitou o sonho duma sociedade fraterna, pois “só o homem que aceita aproximar-se de outras pessoas com o seu próprio movimento, não para retê-las no que é seu, mas para ajuda-las a serem mais elas mesmas, é que se torna realmente pai”.

Naquele mundo cheio de torres de vigia e muralhas defensivas, as cidades viviam guerras sangrentas entre famílias poderosas, ao mesmo tempo em que cresciam as áreas miseráveis das periferias excluídas. Lá, Francisco recebeu no seu íntimo a verdadeira paz, libertou-se de todo o desejo de domínio sobre os outros, fez-se um dos últimos e procurou viver em harmonia com todos.

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade deste ano nos convidam à revisão de vida, à autocrítica, a aumentar nossa capacidade de ouvir o outro, de dialogar, de criar pontes, de viver o coração do Evangelho: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

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