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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Artigos

Por que o padre não pode se casar?

O celibato na Igreja está ligado teologicamente ao entregar-se de forma sublime ao Cristo, unindo-se a Ele sem reservas, doando todo o tempo, as energias, a inteligência e o próprio ser pela causa do Reino de Deus. Consiste em sacrificar-se por amor; em renunciar o finito e o pontual, pelo duradouro e universal.
Dom Milton Kenan Júnior disse em reportagem da TV Barretos, no último dia 3 durante o Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero, que não há amor se não há renúncia e que quem disse que os padres são solteiros se engana. “Nós padres somos casados e bem casados. Somos casados com a Igreja, com a esposa de Cristo. Cristo nos dá a sua esposa para que possamos amá-la, servi-la, ser sinal a ela de seu esposo que é o Cristo”, completou.
Desde a Tradição Apostólica, a história mostra que homens renunciaram à vida conjugal para se dedicar inteiramente à Evangelização. Vários apóstolos e discípulos optaram pela vida matrimonial; muitos outros escolheram a vida celibatária. Assim, a Igreja se enriqueceu de dons e carismas diversos. (…).
Vários Concílios indicaram o celibato como uma obrigação para que a Evangelização fosse mais fecunda. Os Concílios de Elvira (295-302), de Niceia (325), de Calcedônia (451); e os decretos do pontificado de São Leão Magno (440-461), no findar do século IV. Mas foi no 1º Concílio de Latrão, em 1123, que o celibato foi instituído como uma disciplina obrigatória para todo o clero latino do Ocidente. O Concílio de Trento (1545-1563) ratificou definitivamente o celibato como uma lei obrigatória a todos os clérigos da Igreja Latina Ocidental.
Na Igreja Oriental, há muito tempo reina outra vertente da Tradição Apostólica. O Catecismo da Igreja Católica explica: Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros. Esta prática é, desde há muito tempo, considerada legítima: estes sacerdotes exercem um ministério frutuoso nas suas comunidades. Mas, por outro lado, o celibato dos sacerdotes é tido em muita honra nas Igrejas orientais e são numerosos aqueles que livremente optam por ele, por amor do Reino de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode casar-se. (n.1580)
Hoje, muito tem se questionado o celibato, atribuindo a ele todas as causas das imoralidades que acontecem no seio da Igreja. É certo que o celibato somente se aplica àqueles que, livremente, escolheram o sacerdócio. Não é verdade que os distúrbios sexuais são gerados pelo celibato. A pedofilia, que é o maior distúrbio doentio que atinge amargamente a Igreja, é observada com muitíssima frequência em pessoas casadas e nas famílias bem estabelecidas. O problema não está no celibato, está na pessoa em particular, seja ela celibatária ou com a vida sexual ativa (…).
Preocupemo-nos menos com o casamento dos padres, e ajudemos a todos eles a serem fiéis ao seu chamado, amando-os, exortando-os e respeitando-os; dando o carinho e o apoio necessários, pois essa é a missão da grande família eclesial: colaborar e cuidar dos filhos e filhas que foram escolhidos para ao sacrifício total da vida pela Igreja. 
Fonte: 12.com – Pe. José Luís Queimado 
 

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