Ir para o conteúdo

terça-feira, 05 de março de 2024

Artigos

Por que entender a si mesmo, às vezes, é bem mais difícil do que entender os outros?

Talvez você se pergunte como é que algumas pessoas conseguem chegar a tantas conclusões e reflexões sobre suas vidas, sentimentos e sociedade. Por que será que vemos intelectuais, filósofos e estudiosos apresentarem tantas ideias sobre felicidade, amor, ética e a vida que vale a pena ser vivida?
Será que são apenas grandes pensadores e pessoas que passam suas vidas estudando algo que conseguem obter conclusões sobre essas questões pertinentes à existência humana? Ou será que qualquer um, mesmo os mais ignorantes, consegue também caminhar até suas próprias descobertas sobre si mesmo e sua vida?
A maioria de nós está acostumada a só sentir as coisas, como os sentimentos de raiva, tristeza, inveja… nós sentimos tudo isso e é muito difícil pararmos para refletir sobre o que sentimos, de onde esses sentimentos vêm ou o porquê tal coisa ou outra nos desperta esses sentimentos.
O mais comum é sentirmos e deixarmos passar, ficando sempre passivos dos nossos afetos e desafetos. Mas volta e meia conhecemos alguém que parece ter bastante propriedade de si, que se mostra bastante equilibrado e com uma boa maturidade emocional.
Isso pode nos despertar ao menos a seguinte dúvida: como é que essa pessoa consegue ter tanto controle e equilíbrio? Será um guru iluminado? Não, é alguém que provavelmente tem o hábito de refletir, de questionar e de se permitir ser a principal motivação destas dúvidas.
Pois é, a reflexão é um exercício. Um exercício diário para toda a vida. Todos os dias você precisa tirar um tempo para se perguntar coisas, quase como um detetive, e ir desvendando questões de si mesmo.
Se você sente uma dor que não passa ou que fica indo e voltando, você não fica só tomando remédio para dor. Você procura investigar o que é, vai ao médico, faz exames, toma o remédio certo etc.
Por que com nossos sentimentos isso seria diferente? Se você não entende o porquê sente as coisas que sente, jamais terá controle delas ou de si mesmo. O questionamento é como achar a ponta de um novelo de lã, já a reflexão é seguir esse fio e desfazer os nós que forem encontrados.
Ao se perguntar o porquê de alguém ou alguma situação deixá-lo aborrecido, por exemplo, você dá início a um processo de autoconhecimento em que terá que ser dado um passo de cada vez. Entenda que a ideia aqui não é saber o porquê o outro faz o que faz, mas o motivo de você sentir o que o sente.
Sabendo a origem dos seus afetos e humores, você consegue ter mais controle deles e não fica sempre à deriva em correntes de humores irracionais. As suas reações são consequências da sua personalidade, experiências e de tudo o mais que formam este ser complexo chamado EU.
Entender a si mesmo, às vezes, é algo bem mais difícil do que entender os outros. Mas o resultado é o amadurecimento emocional, que nos torna mais equilibrados e fortes para encarar a vida. O caminho do autoconhecimento é o único que irá criar e fortalecer as fundações do seu ser e lhe dar a estrutura para reconstruir a si mesmo da melhor maneira possível.
Se desfazer do ego e da vaidade para colocar o EU a julgamento, provavelmente, é a parte mais difícil de se fazer, mas ter o controle dos seus afetos e sentimentos o permitirá guiar sua vida, e não ficar à deriva no caos.

 

 

Gabriel Fraga, escritor
e colunista no Portal
Provocações Filosóficas

Compartilhe: