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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

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Por onde andamos? Pra onde voltamos? Como seguimos?

Os percalços da vida são tantos que, ás vezes, tem-se a impressão de que por eles seremos tragados. Nominar estas realidades do caminho como desafios, ao invés de problemas, ou, coisa do gênero, parece-nos mais inspirador, uma vez que, de forma consciente, livre e responsável, fazendo jus ás muitas oportunidades que recebemos, devemos superá-los, o máximo possível.
Voltavam os dois, tristonhos, á sua terra de origem (Lucas 24, 13-25). Pareciam acumular mais uma dentre tantas decepções; desta feita morrera crucificado Jesus Nazareno, ao qual eles seguiram, certos de que triunfaria, submetendo seus inimigos. Muitos seguiram Jesus pensando ser Ele um líder político e/ou religioso; aliás, esta teria sido a causa real de sua morte, o medo das autoridades constituídas de que Ele comandasse uma insurreição, assumindo o poder.
Eles deixaram a cidade de Jerusalém, abandonando o grupo dos seguidores de Jesus. A dor e decepção eram tamanhas que decidiram voltar para o lugar, certamente, pensaram, do qual nunca deveriam ter saído. Emaús representa nossas origens, aquela realidade, espaço ou lugar ao qual sempre necessitamos retornar, sobretudo, após uma grande batalha, na intenção de refazer forças, reorganizar pensamentos, curar feridas da mente e do espírito.
Estavam tão engolidos pela dor que não se deram conta de que o Cristo Vivo com eles caminhava, falava, explicava as Escrituras; compartilharam depois que aquelas palavras fazia-lhes arder o coração. No entanto, os olhos só se abriram quando O reconheceram no partir o pão, sinal memorável, a Eucaristia, eternizando a presença real de Cristo entre os Seus. Abertos os olhos O reconhecem e, mais que depressa voltam a Jerusalém. E a ida para Emaús? Certamente o lugar de origem não era para eles espaço de refazer forças, mas sim, de fugir da realidade, dores e confrontos necessários. Nesse sentido, Emaús não parece um bom remédio, assim como, embora seja necessário e importante, o ‘arder do coração’ não parece suficiente para o seguimento fiel de Jesus, pois, caso os olhos continuem cerrados, caminhamos para o lugar errado, no qual feridas não serão curadas, mas, disfarçadas.
Eles voltaram para Jerusalém, espaço significativo que representa, de fato, o lugar onde devemos estar devemos, mesmo em meio ás dores e incompreensões do caminho.
Voltaram para Jerusalém, certos de que dariam a vida por uma causa maior que a sua, a cauda do Evangelho. Quando encontramos sentido para nossa existência, morrer por aquilo que cremos, converte-se em graça, não em perda.
Vale a pena rezar e refletir: Por onde tens andando? Para onde tens voltado? Como tens seguido adiante?

 

 

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado
em Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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