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Pobreza e saúde
De boas intenções o inferno está cheio, não? As intenções, especialmente dos políticos, devem estar focadas em políticas públicas voltadas para as crianças, pois uma pesquisa da Universidade de Michigan encontrou evidências de que os hábitos na infância impactam a saúde do idoso. E muitos desses hábitos provavelmente causarão o diabetes, obesidade e doenças cardíacas.
É o resultado prático do estudo feito por pesquisadores daquela universidade, que analisou dados históricos de quase 147 mil idosos, em 25 países, de diferentes níveis de renda, na África, Ásia, Caribe, Europa e América. As descobertas fornecem uma mensagem relevante para os políticos interessados em saúde pública.
As pessoas nascidas em países em desenvolvimento na década de 1930 até os anos 1960 viveram suas infâncias em um momento singular da história humana, houve um rápido aumento da expectativa de vida, principalmente pelo desenvolvimento de antibióticos, vacinas e outras inovações médicas.
Pelo mundo afora, encontram-se muitos bons programas que tentam melhorar a saúde das pessoas. As intervenções de saúde pública e os avanços na medicina têm aumentado a expectativa das pessoas sobreviverem a condições muito duras no início da vida, mas pouco adianta se a saúde no futuro ficar comprometida.
E este futuro é uma preocupação para quem é responsável pelas políticas públicas voltada para idosos. E o crescimento da população de idosos é uma tendência mundial. É preciso estar preparado, pois isso vem juntamente com aumentos previstos na diabetes e doenças cardíacas. Assim, intervenções adequadas devem ser postas em prática e incluindo as crianças.
Este estudo aparece no livro recém-lançado “Early Life Conditions and Rapid Demographic Changes in the Developing World: Consequences for Older Adult Health”, financiado pelo National Institute on Aging, do National Institutes of Health. É um livro que preenche as expectativas de interesse do povo americano e também útil para todos os cidadãos de outros países.
Concomitante ao livro, pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan e da Universidade Estadual de Michigan descobriram que crianças em idade escolar com deficiência de vitamina A são mais propensos a desenvolver doenças gastrointestinais e respiratórias.
O estudo foi feito com cerca de 2.800 crianças, com idades entre 5 e 12 anos, em Bogotá, na Colômbia, ao longo de um ano. Eles descobriram que quanto menos vitamina A (retinol) tem no sangue das crianças, maior a incidência de diarréia com vômitos e tosse com febre, para cada 10 microgramas por decilitro de retinol presente no sangue, 18 % menos dias com diarréia e vômitos, 10% menos dias de tosse e febre e 6% menos visitas ao médico .
Os investigadores mediram marcadores de outros micronutrientes, que também são importantes para o sistema imunitário, incluindo zinco, ferro, ácido fólico e vitamina B12, mas somente a Vitamina A foi relacionada com a doença. Uma importante descoberta para se combater essas doenças das crianças que atingiu 14% das crianças.
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.