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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Artigos

Pelas vítimas de abusos

INTENÇÃO DO PAPA – MARÇO: “Rezemos por quantos sofrem por causa do mal cometido por parte de membros da comunidade eclesial: para que encontrem na própria Igreja uma resposta concreta às suas dores e aos seus sofrimentos.”
É muito dolorido para nós enquanto Igreja ouvir dizer e saber dos vários abusos que acontecem dentro da nossa comunidade de fé. Realmente são fraquezas humanas que precisam ser curadas à luz da justiça e misericórdia de Deus. É cômodo também apontar o dedo e generalizar tudo e todos, pois sabemos que esta não é uma verdade e não ajuda a superar as realidades em dificuldade.
O Papa nos chama a ser uma Igreja remédio para essas feridas provocadas e abertas. Talvez você que esteja lendo este texto sabe de algum abuso ou quem sabe até mesmo foi vítima, logo, sabe da dor que isso causa, sem contar os traumas e decepções.
É justo notar aqui que, quando um membro da Igreja erra, ele já não representa todo o corpo da Igreja, pois ele se tornou um membro doente e os membros doentes, assim como no nosso corpo, precisam de curativos e não apenas ser amputados. É mais fácil também amputar e jogar fora a pessoa, numa cultura de descarte, ainda pior. Isso não quer dizer que há de se concordar com o delito do abuso, mas a Igreja, enquanto tal, tem como missão ajudar a recuperar as pessoas, como aquele ladrão no calvário, como Zaqueu, Mateus e tantos outros.
Essa atitude curativa da Igreja não deve ser dada apenas com uma bênção ou um aglomerado de orações, mas deve ser uma restituição possível do que foi destruído ou danificado, como, por exemplo, um bom acompanhamento psicológico para que os traumas e medos sejam vencidos, uma boa e sincera direção espiritual para que a imagem da Igreja no coração da vítima não seja manchada e tantas outras tarefas que incluam a misericórdia.
Note bem que, quando se fala de abuso, não podemos apenas reduzir ao âmbito afetivo-sexual, mas precisamos alargar o horizonte e ver que os abusos também se dão em outros parâmetros, e que também precisamos estar atentos.

 

 

 

(Por: Pe. Lucas R. Pereira, São Lourenço – MG)

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