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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Pedra sobre Pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho, mudei de caminho e havia outra, voltei então para o primeiro e já não era apenas uma, mas várias amontoadas por toda parte. Percebi que não adiantava fugir e recomecei de onde havia parado.
Sentei na maior para descansar, era a mesma que me assustara da primeira vez, o medo não me deixou perceber que se encontrava debaixo de uma frondosa árvore, ali era um lugar fresco e agradável para se passar a manhã, e assim o fiz.
Sentada naquela pedra, pude observar melhor as outras, que agora se pareciam menos assustadoras que antes, até chegavam a me trazer certo encantamento, pois possuíam cores diferentes. Atraída por suas belas tonalidades comecei a caminhar por aquele terreno pedregoso e íngreme, o suor escorria do meu rosto e eu nem percebia.
Avistei de longe o grande rochedo debaixo da sombra, e desejei voltar, mas decidi seguir em frente. Logo as pedras coloridas se acabaram e nenhuma sombra estava à vista, me odiei por ter continuado; o arrependimento me consumia, e cada vez o caminho se tornava mais difícil. Fiquei por muito tempo parada, sofrendo debaixo de um sol escaldante, sem conseguir prosseguir viagem, tamanha era a rocha que me impedia.
Naquele momento, onde minhas forças acabavam e o fim parecia se aproximar, clamei a Deus por misericórdia, e adormeci. Enquanto eu dormia, Deus ouviu minhas preces e mandou uma grande nuvem para cobrir o céu. Acordei, e ainda estava lá aquele grande obstáculo, mas o sol já não sugava minhas energias, e pude enfim passar por ele.
Deus não tirou a pedra do meu caminho, mas me deu condições e forças para vencê-la. Ainda cansada pelo enorme esforço do momento, continuei caminhando devagar. Já havia conseguido passar por mais da metade do caminho e precisava persistir… A dúvida sempre foi minha parceira de caminhada, pois muitas vezes nem eu mesma sabia o que procurava encontrar no fim da estrada.
Depois de uma árdua jornada avistava enfim meu almejado destino, chegando lá percebi que também haviam pedras, mas já não me assustavam mais, pois aprendi pelo caminho que sempre haverá uma árvore para te dar sombra e um Deus para te dar forças!

 

 

 

 

Erika Borges, cronista e
escritora, autora dos livros
Crônicas e Reflexões da Vida
e Crônicas e Reflexões na
Pandemia, Mediadora
de Biblioterapia

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