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PECADO DE AMAR
Bom Dia Barretos.
Deveria, talvez, deixar esse relato para um livro de memórias póstumas. Quem sabe assim, não estaria evitando mais dores de cabeça, pelo tenebroso crime que cometi; o crime de amar e sonhar o progresso de nossa cidade. Estou servindo Barretos há 53 anos como médico, e 45 anos na vida pública. Em minhas campanhas sempre apresentei planos de governo, e não só os cumpria, como fazia muito mais. Cometi o pecado grave de ser honesto e por isso fui perseguido e muitas vezes punido.
Diziam não entender, como um prefeito podia fazer tanto com tão pouco dinheiro? Como podia um prefeito passar 12 anos numa prefeitura e sair sem apresentar notas de viagens, com hospedagens em hotéis qualificados e gastos com refeições, ou qualquer outra mordomia? Como podia um prefeito dizer em campanha que, se eleito, acabaria com o brejo que dividia a cidade e implantaria ali a chamada região dos lagos, e depois de eleito cumprir o compromisso? Como poderia um candidato prometer desapropriar uma fazenda, onde se localizava o lixão da cidade para ali implantar um distrito industrial, e depois de eleito, mais uma vez cumprir o compromisso? Como poderia um candidato ter a coragem de afirmar que, se eleito, removeria o antigo traçado ferroviário, verdadeiro anel de aço a impedir a expansão da cidade e cumprir o compromisso depois de eleito? Como poderia dizer que implantaria em cada bairro uma unidade integrada, composta por um parque infantil, uma creche, uma escola de primeiro grau além de um posto médico odontológico, e cumprir o compromisso de campanha? Como poderia um prefeito prometer construir um calçadão e fazê-lo no período chuvoso, a pedido da Associação Comercial, para não atrapalhar o comércio, e o realizar no intervalo de três meses? Como pode tal prefeito fazer tudo isso sem um tostão de empréstimo e pagando as dívidas herdadas?
Mas fez muito mais, mudou a iluminação pública da cidade, alargou suas ruas trocando redes de água e esgoto, asfaltando e sinalizando os logradouros públicos. Fez o cavalgando para o futuro e o Racibe Rezeck, a via das comitivas, a Fraternidade Paulista, a João Baroni e a Floriano Tacelli Filho. Comprou, pagou e implantou um moderno aterro sanitário, reservando metade do terreno para futura ampliação. Perfurou dois poços profundos, resolvendo o problema de abastecimento de água na cidade, concluiu a rede de esgoto e implantou todo o seu tratamento. Implantou uma pedreira e uma usina de asfalto. Implantou o CEMUP e o CEMART, criou a orquestra sinfônica e uma escola de artes. Conseguiu com o Governador o asfalto para a cachoeirinha e Ibitu, a saída asfaltada do Frigorifico Anglo para a rodovia Faria Lima, o inicio da duplicação da Rodovia Faria Lima, de Barretos para São Paulo.
Pois bem, a competência gera inveja e quando a inveja campeia, permeia pelo tecido citadino levando-o a desagregação. Isso, sem falar dos sanguessuga que se aproximam buscando tirar proveito. Rechacei bajuladores e achacadores. Garanti o dinheiro público para obras públicas, só assim consegui fazer o que fiz. Defendi o erário municipal contra todo tipo de investidas. Criei inimigos, por não lhes conceder as benesses pretendidas. Enfrentei uma CEI por negar garantir dez vagas para cada um de três vereadores que as exigiam. Pelo crime de construir uma casa para morar, depois de aproximadamente quarenta anos de profissão e mais de trinta como proprietário de hospital, quebraram meu sigilo fiscal e bancário. Não satisfeitos, também quebraram os de minha esposa e do Hospital São Jorge. Buscaram cada cheque emitido e cada cheque recebido nos últimos cinco anos. Passaram um pente fino em todas as contas, e NADA, NADA encontraram de irregular, pois trouxe do berço o sentido de honestidade de conduta que herdei de meus pais.
Fui perseguido e muitas vezes condenado, todas injustamente, porque ousei fazer, cometi o pecado de realizar. Paguei, sem dever, todas as condenações recebidas. Tenho pagado o preço que o País cobra de seus filhos honestos. A saga continua e agora recebo mais uma cobrança. Como prefeito, e autorizado por lei, ofereci um terreno do distrito industrial para que a Bankama se instalasse em Barretos. Foram tantas as exigências burocráticas do Governo Federal que a empresa japonesa começou um trabalho experimental, com um seu funcionário brasileiro que lá trabalhava. Ficou o compromisso de doação. A escritura nunca foi passada e fruto das exigências alfandegárias, o projeto não se consolidou. O terreno, bem como a construção, permaneceu como propriedade da prefeitura.
O prefeito que me sucedeu doou o terreno com o imóvel para outra empresa. Agora recebo a notificação judicial para pagar, imediatamente, R$ 61.494,25 pelo barracão que não doei, mais R$ 44.400,00 de juros e 21.178,85 de honorários advocatícios, tudo importando R$127.073,10. Pergunto, por que? Que barracão, se o mesmo continuou com a Prefeitura? Juros do que, se o terreno continuou com a Prefeitura? R$ 21.178,85 de honorários? Valha-me DEUS, todas as empresas instaladas no distrito industrial receberam seus terrenos por doação! Se o terreno que seria destinado à Bankama não foi por mim doado, e o foi sim, por outro prefeito e para outra empresa, porque teria eu que pagar?
Só gostaria de entender porque estou sendo punido? Só mesmo a fé que eu tenho em DEUS e os princípios que trago dos ensinamentos paternos, para conseguir absorver mais essa injustiça sem ter um ataque cardíaco. Um dia no plano espiritual, onde as injustiças e as mentiras não conseguem sobrepor-se à verdade, nos encontraremos e ai talvez, mesmo eu os perdoando, terão que se ver com a justiça divina.
Obrigado meu DEUS, por me ter feito assim, e pelos pais a quem confiou minha formação. Sei que por isso paguei um preço muito caro, sei também que continuarei a pagá-lo pelo pecado de amar muito Barretos, pela minha postura honesta, por não me compor com os aduladores, os bajuladores e muito menos com os achacadores que permeiam todas as classes sociais, mundo afora.
BOM DIA BARRETOS.