sexta-feira, 23 de outubro de 2020

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A paz, nossa esperança

A mensagem papal escrita para o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro, desde 1967, quando de sua primeira edição por Paulo VI, para além dos referenciais cristãos católicos, propõe a todos os homens e mulheres de boa vontade, no início de um novo ano, caminhos que favoreçam a toda a família humana progredir no caminho que conduz ao reconhecimento, resgate, cultivo e promoção da paz, dom universal.
“A Paz, caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica” é o tema apresentado pelo Papa Francisco para 2020. Considerando a paz como dom e desejo aspirados por toda a humanidade, ele estabelece uma relação direta entre paz e esperança: a paz é a meta, a esperança é o motor. Diante das tensões próprias da existência humana, se temos metas nobres e grandes, elas justificarão a canseira ao longo do caminho. “(…) A esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas para continuar, meso quando os obstáculos parecem instransponíveis”.
Ressaltando os dramas dos pobres e frágeis, o pontífice pontua os atuais desafios à promoção da paz e nominando-os de ‘cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódio e violência que ameaçam a dignidade, integridade física, liberdade, solidariedade e a esperança’, aponta como causas das dores que assolam a humanidade, a incapacidade de suportar a diversidade, o desejo de posse que sugere dominação, exclusão e eliminação. Se a guerra é nutrida pela perversão das relações, a solução está na fraternidade real, regida por uma ética global de solidariedade.
Considerando a discussão nuclear criadora de ilusória segurança, sugerindo as vítimas de Hiroshima e Nagasaki como exemplo de preservação da memória e inspiração a vencer a vontade de domínio e destruição, Francisco apela à consciência moral, vontade pessoal e política, sugerindo perdão, reconciliação, fraternidade assim como a construção sistemas econômicos mais justos como caminho de paz, construção feita ao longo do tempo, baseada na busca pela verdade e justiça, através do diálogo em nível local, nacional e internacional.
O desrespeito à casa comum e exploração abusiva dos recursos naturais são extensão da violência humana. ‘Conversão ecológica’ é a necessidade da renovação das relações com a natureza que, expressando consciência e corresponsabilidade, promove a ecologia integral. Inspirados no libertador, ilimitado, gratuito e incansável amor de Deus, alimentados pela paciência e confiança, somos exortados a promover a cultura do encontro, vencendo a cultura da ameaça e do medo, rumo à fraternidade universal. Feliz e abençoado 2020!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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