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sexta-feira, 12 de julho de 2024

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Para não ser excluído é preciso entrar no Reino de Deus

No relato que ouvimos hoje, Marcos termina dizendo: “Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo”.
A parábola é um gênero literário muito apreciado pelos povos orientais. Trata-se de uma semelhança, uma comparação; porém, não é uma comparação abstrata, mas concreta, tirada da vida do dia a dia. Ela permite fixar algum ensinamento com imagens vivas que se imprimem nos olhos, na fantasia, na memória, desempenhando o papel em certo sentido, que têm para nós hoje a escrita e as ilustrações. A parábola permite que uma ideia fermente a partir de dentro, que volte a estimular o espírito em tempos sucessivos e em circunstâncias diferentes, liberando significados sempre mais ricos.
O que Jesus queria comunicar aos seus ouvintes com as parábolas que ouvimos hoje? As duas parábolas têm alguns aspectos em comum: um terreno, uma semente e semeadores. Na primeira parábola, o acento está no crescimento milagroso da semente, uma vez jogada na terra, ela por si manifesta uma força irresistível, diante da qual o agricultor nada tem a fazer a não ser olhar e ficar admirando. Na segunda parábola, o acento está na desproporção entre o início do processo – uma minúscula semente de mostarda – e o resultado final: uma planta que pode acolher nos seus galhos os pássaros do céu.
Jesus com estas parábolas nos diz que a nada se pode comparar o Reino de Deus, que germina e se desenvolve como a semente da parábola. Aparentemente a semente é insignificante diante dos frutos que ela produz. Quando olhamos um campo repleto de trigo, milho, soja vemos que, embora as sementes sejam tão pequenas, elas produzem muito mais do que elas representam.
Assim, diz Jesus, acontece com a semente de mostarda: quase invisível aos olhos, quando germina produz uma árvore capaz de abrigar os pássaros na sua sombra.
Jesus está dizendo: o Reino já está agindo, a coisa mais importante não é ficar olhando como se desenvolverá, mas entrar nele para não ficar excluído: o homem, com efeito, passa, mas o Reino permanece. A colheita já foi iniciada porque Cristo ressuscitou!
Acolher a palavra de Jesus, que ecoa por toda parte e se acolhida produz frutos de conversão, gerando paz e alegria, é tornar-se cidadão do Reino de Deus já presente entre nós, mas ainda não plenamente manifesto. Agora pode acontecer de vermos apenas o plantio e o germinar; mas chegará o dia em que seremos convidados por Jesus a participar da alegria da colheita, quando Deus for tudo em todos!
(Por: Dom Milton Kenan Jr)

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