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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Artigos

Para além da sepultura

Um dia, a nossa travessia neste mundo terminará. A morte, no entanto, constitui um dos maiores enigmas da existência.
Quando nascemos, a primeira reação é o do choro. Choramos porque, entre outras coisas, deixamos o conforto do útero de nossa mãe, estranhamos a nova temperatura e, certamente, a luz dói em nossos olhos. O tempo passa, a vida nos desafia e nos acostumamos a tudo, mas não somos daqui: “Quando a tenda que nos serve de habitação aqui na terra – isto é, nosso corpo – for desfeita, sabemos que temos outra habitação no céu, preparada por Deus. Esta não é uma casa como as que os homens fazem, mas a habitação eterna” (2Cor 5,1).
Terminada nossa travessia neste mundo, pela fé, adentramos o infinito: “Deus enxugará toda lágrima dos olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes” (Ap 21,4).
Em virtude de nossa condição humana, partir é dolorido. A morte de familiares e pessoas próximas inunda nossos olhos de lágrimas, e a saudade é como neblina. A morte é uma dor sem nome.
É bem isso o que as irmãs Marta e Maria experimentam no Evangelho deste domingo. O próprio Jesus também exprime o drama da morte, como revela o escritor sagrado em uma frase curta e densa: “Jesus chorou” (Jo 11,35). Porém, ele mesmo ensina que a morte não é desespero. A reanimação de Lázaro, após quatro dias de falecimento, quer justamente dizer que, em Jesus Cristo, nós não estamos fadados ao túmulo: “Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).
Ressuscitar é todo dia, quando acordamos e o rosto da manhã se apresenta como um sorriso. A Quaresma seja, para nós, tempo de profunda experiência de Deus e possibilidade de renovação. “Ele, que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais” (Rm 8,11).

 

(Por: Pe. Antonio Iraildo de Brito,ssp)

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