Ir para o conteúdo

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Artigos

Papel com os dias contados

CNH, CRV, CFC, PCD, ECV… Para muita gente, essa sopa de letrinhas de serviços do Detran.SP pode embaralhar a cabeça, mas as siglas visam justamente o contrário.
A finalidade é abreviar o significado de nomes compridos difíceis de gravar na memória e, cada vez mais e em paralelo, criar atalhos para a execução rápida de serviços.
O que se quer, efetivamente, é facilitar a vida do cidadão, melhorar a experiência do usuário. Com o mesmo propósito, há agora mais duas nomenclaturas para decorar: CRLV-e e ATPV.
Numa iniciativa positiva, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito), outra sigla, unificou, em um mesmo documento digital, dois documentos previstos no Código de Trânsito Brasileiro para os proprietários de veículos automotores.
São eles: o de Registro (que comprova a propriedade) e o de Registro e Licenciamento (que comprova a licença anual).
Com a medida, os Detrans não podem mais emitir a versão física dos documentos, aquela em papel moeda, atendendo a Deliberação nº180/19.
O proprietário do veículo deverá baixar o documento em seu celular por meio da CDT – Carteira Digital de Trânsito, disponível nas lojas de aplicativos, e também via Poupatempo digital.
Ou, se preferir, poderá também imprimi-lo em uma normal, em papel formato A4, que conterá código bidimensional dinâmico (QR Code), o que possibilitará a verificação de sua autenticidade pelos agentes da autoridade de trânsito. Tanto o formato digital quanto o impresso serão válidos para a fiscalização.
É importante frisar que antes mesmo da migração para o ambiente digital, um avanço sem dúvida, o serviço analógico executado pela autoridade de trânsito conferia uma retaguarda fundamental para o cidadão.
Os Detrans podem ainda até ser vistos como burocráticos, cartoriais, mas se valem de procedimentos rígidos para proteger o proprietário do veículo.
Quando se exige reconhecimento de firma na transferência do veículo e se estipula multa caso o comprador não transfira para seu nome o veículo em até 30 dias, a intenção sempre foi garantir autenticidade ao documento e segurança na operação. Nada mais.
Já com a digitalização o motorista deixa de carregar papel, um movimento ecologicamente correto, e cada vez mais consegue cumprir com suas obrigações com o Detran na palma da mão. Sem sair de casa. Bem recomendável em tempos de pandemia.
A segunda via da CNH é um bom exemplo. Há pouco tempo, vale lembrar, era necessário que o cidadão fizesse o agendamento, depois fosse pessoalmente até a unidade e ainda aguardasse a impressão para a entrega do documento.
Hoje, com quatro cliques no aplicativo do Poupatempo digital, é possível imprimir o documento em casa, de forma muito mais ágil e eficiente. Melhor: não precisará mais ter despesa com a taxa da segunda via da CNH.
Mais um avanço do CRLV-e é a digitalização da Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV), que hoje consta no verso do CRV físico e constitui o termo necessário para a venda do veículo.
A realidade é inescapável. A inovação tecnológica, de fato, diminui a burocracia dos órgãos de trânsito e torna o atendimento cada vez mais impessoal.
Não é discurso. De janeiro a dezembro de 2020, foram realizados no Detran.SP mais de 125 milhões de interações pela internet, tanto pelos sites quanto pelos aplicativos do Detran e Poupatempo. Em 2019, foram 47 milhões. Ou seja, triplicamos o atendimento.
Dos nossos principais serviços, 90% deles já podem ser realizados online, dispensando a necessidade de ir até uma unidade física do Detran.SP. Aumentamos em 67% o atendimento pelos portais e aplicativos. No Poupatempo, 83% dos serviços do Detran são consumidos de forma digital.
A palavra de ordem no departamento de trânsito é tornar mais ágil a emissão dos documentos, facilitar a vida do cidadão e preservar o meio ambiente.
O papel está com os dias contados no Detran.SP! Levamos a sério o programa do governo do estado criado para eliminar ou reduzir o uso do papel.
Enfim, a migração digital é um caminho sem volta. O futuro está mais do que desenhado. Detalhe: sem precisar de caneta ou folha.

Por Neto Mascellani, diretor-presidente do Detran.SP

Compartilhe: