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quarta-feira, 25 de maio de 2022

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Papa quer uma Cúria Romana com estilo evangélico e não empresarial

O Papa Francisco disse aos cardeais e superiores da Cúria Romana que se deixem a “evangelizar pela humildade do Menino Jesus” para concretizar uma organização de tipo evangélico e não empresarial.
“A Cúria não é apenas um instrumento logístico e burocrático para as necessidades da Igreja universal, mas é o primeiro organismo chamado a dar testemunho. E, por isso mesmo, na medida em que assume pessoalmente os desafios da conversão sinodal a que é chamada também ela, cresce a sua credibilidade e eficácia. A organização que devemos implementar não é de tipo empresarial, mas evangélico”, disse Francisco no dia 23 de dezembro no tradicional encontro antes do Natal com a cúria.
Francisco, seguindo o hábito retórico dos jesuítas de sempre enumerar três conceitos, falou de três características “de uma Igreja humilde, que escuta o Espírito e coloca o seu centro fora de si”: participação, missão e comunhão.
São os “três requisitos que gostaria de indicar como estilo de humildade a que devemos aspirar aqui na Cúria. Três maneiras de fazer da humildade um caminho concreto que possamos colocar em prática”, disse o papa. “Só servindo e só concebendo o nosso trabalho como serviço é que podemos ser verdadeiramente úteis a todos”.
“Estamos aqui – eu sou o primeiro – para aprender a nos colocar de joelhos e adorar ao Senhor em sua humildade, e não a outros senhores em sua opulência vazia. Sejamos como os pastores, sejamos como os magos, sejamos como Jesus. Eis a lição do Natal: a humildade é a grande condição da fé, da vida espiritual, da santidade”.
Para o papa, “o mistério do Natal é o mistério de Deus que vem ao mundo pelo caminho da humildade” e convidou a refletir “de que adianta ganhar o mundo inteiro se se perde a si mesmo?”
“Humildade é a capacidade de saber viver sem desespero, com realismo, alegria e esperança, a nossa humanidade; esta humanidade amada e abençoada pelo Senhor”, disse Francisco. “A humildade é compreender que não devemos ter vergonha de nossa fragilidade. Jesus nos ensina a olhar para a nossa miséria com o mesmo amor e ternura com que se olha uma criança pequena e frágil, que precisa de tudo”.
“Queridos irmãos e irmãs, se é verdade que sem humildade não podemos encontrar Deus nem experimentar a salvação, também é verdade que sem humildade não podemos encontrar o nosso próximo, irmão e irmã que vivem ao nosso lado”, disse o papa.
O Papa Francisco também falou do caminho sinodal, que começou em outubro e se estenderá pelos próximos dois anos. “Se a Palavra de Deus recorda ao mundo inteiro o valor da pobreza, os membros da Cúria devem ser os primeiros a comprometer-nos numa conversão à sobriedade. Se o Evangelho proclama a justiça, devemos ser os primeiros a procurar viver com transparência, sem favoritismos nem partidarismos. Se a Igreja segue o caminho da sinodalidade, devemos ser os primeiros a nos converter a um estilo de trabalho diferente, de colaboração, de comunhão; e isso só é possível pelo caminho da humildade, sem humildade não o poderemos”, disse Francisco.
“Que nos deixemos evangelizar pela humildade, a humildade do Natal, a humildade do presépio, da pobreza e a essencialidade com que o Filho de Deus entrou no mundo. Até mesmo os magos, que evidentemente podemos pensar que vieram de uma condição mais rica do que Maria e José ou os pastores de Belém, prostram-se quando estão na presença do menino. Não é apenas um gesto de adoração, é um gesto de humildade”.

Fonte: ACI Digital

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