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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Artigos

PAPA FRANCISCO NA AMÉRICA LATINA

O papa Francisco retorna à América Latina, em sua segunda viagem ao seu continente de origem, optando visitar dessa veztrês entre os países mais pobres da região, afirmando assim seu compromisso com os mais fragilizados. Essa tem sido a sua tônica desde que assumiu o pontificado, em 2013: simplicidade, humildade, sobriedade. Da mesma forma como quando veio ao Brasil, apresenta-se abertamente, sem carro com vidro blindado, porque quer uma aproximação direta com o povo. Também confirma sua forte mensagem social e pastoral, com a visão já proposta desde a Pacem in Terris e a Mater et Magistra, do papa João XXIII. O papa Francisco encarna, digamos assim, tudo o que o Vaticano II propôs como aggionarmento, para que a Igreja consiga uma efetiva evangelização, a partir da realidade, dos desafios da contemporaneidade. O estilo pastoral de Francisco não conflita, de modo algum com a doutrina social da Igreja, pois ele quer mostrar que o compromisso com os mais pobres é tradição da Igreja, que os comunistas se apropriaram enquanto retórica, mas que Francisco, com seu modo de agir, quer reforçar que os cristãos não são comunistas porque trabalham em favor dos pobres. Isso que faz com que o papa Francisco seja entendido pelas pessoas mais simples e humildes, e questionado por intelectuais de direita que não compreenderam a sua estratégia por uma necessária pastoralidade, sem conflitar com a doutrina da Igreja.
Estando no Equador, Bolívia e Paraguai, papa Francisco faz a defesa da família e dos valores da Igreja, num contexto de preparação para as importantes decisões que deverão ser tomadas no Sínodo da Família, em outubro. A novidade do papa Francisco, que ele demonstra em sua viagem pela América Latina, é o conhecimento que tem da realidade, e sua compreensão dos problemas existentes, e de que a Igreja não pode se tornar um gueto no mundo, mas que sua missão é irradiar o Evangelho para todo; daí a necessidade de enfrentar os desafios, de modo a propor soluções que façam as pessoas viverem melhor o Evangelho, e não se afastarem dele. Nesse sentido, a sua disposição ao diálogo ecumênico.  Francisco se propõe a ouvir, dialogar, partilhar, para que haja uma possibilidade de trabalho conjunto pelo bem de todos, a partir dos pontos em comum, daquilo que une, e não do que desune. Por isso aposta no diálogo também com as demais religiões. Sem impor, mas propor um relacionamento de partilha e diálogo.
Visitarpaíses mais pobres da América Latina é sinalizar ao mundo que o seu discurso não é apenas retórica, mas uma prática consolidada em gestos concretos, na busca de uma sociedade mais justa e solidária, a partir dos princípios e valores cristãos. É a mística de São Francisco atualizada nos desafios de hoje; “aonde há discórdia que eu leve a paz”. Papa Francisco, com suas ações, certamente vai se tornando uma liderança internacional com a moral necessária para contribuir por uma paz baseada em valores e, por isso mesmo, capaz de se efetivar, a partir de resultados concretos, a partir da realidade cotidiana. O papa dá assim uma demonstração de viva esperança e Fé. Pede a todo instante que rezemos por ele. É um homem comprometido com uma missão de paz e caridade.
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária 

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