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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Artigos

“Pai e mãe têm que dar para um filho afeto, segurança, escola e alimento, o resto é privilégio e privilégio se conquista.”

“Em questão de educação, melhor do que o “sim” e o “não” é questionar o filho: “Por que você acha isso? Reflita sobre isso. Como você vai resolver isso? Qual era o nosso combinado?” Assim, os pais vão treinando a criança para ter autonomia, para que ela chegue sozinha a essas respostas.
Quer formar um cidadão? É necessário dar-lhe liberdade e responsabilidade. Um indivíduo com muita liberdade torna-se um folgado, e outro com muita responsabilidade torna-se um alienado.
Há ocasiões em que um não é simplesmente um não. Por exemplo, se o filho quiser ganhar algo de Natal, o pai, primeiramente, tem que se perguntar: “Eu posso comprar? Eu quero comprar? É a hora? O filho merece?” Um pai e uma mãe devem dar ao filho afeto, segurança, escola e alimento, o resto é privilégio, e privilégio se conquista.
Porém, muitos pais, ao invés de estarem presentes na vida de seus filhos, substituem essa presença pelo presente material. O filho, por sua vez, vai confiar no pai que confiou na relação; o verbo “confiar” vem de fio, o que significa tecer um fio, tecer uma condução, tecer um significado que na prática diz “você é importante para mim”. Essa relação de confiança é estruturada a partir de práticas que pais e filhos fazem juntos, como montarem uma árvore de Natal, cozinharem, lavarem o carro etc.
Nós tivemos a sorte de ter pais que não viviam para agradar o filho. Deve-se educar o filho; o filho sentir-se agradado ou não depende de como ele encara a vida. Por exemplo, tem gente que tem uma vida maravilhosa e é infeliz, e tem gente que tem uma vida difícil e é bastante feliz.
A felicidade está no olhar de cada um. Agora estamos no verão em São Paulo, não há água, então, ao invés de contratar o serviço de lavagem de carro, o pai poderia pegar meio balde de água e lavar o automóvel junto ao filho, pois quando é que os filhos conversam com os seus pais? Quando descascam laranja juntos, levam o cachorro para passear, lavam o carro, fazem compras na feira juntos… O que você se lembra dos seus pais são os momentos e as experiências com eles – os presentes materiais não valem nada.”

 

Leo Fraiman é psicoterapeuta,
supervisor clínico e diretor
da clínica Leo Fraiman de
Psicoterapia e Gestão de
Carreiras, também é especialista
em psicologia educacional e
mestre em psicologia educacional
e do desenvolvimento humano
pela Universidade de São Paulo (USP).

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