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domingo, 15 de novembro de 2015

Artigos

PADRINHOS E MADRINHAS

No final da semana passada circulou pela rede social o desabafo de várias pessoas falando da “burocracia” da Igreja de Barretos, referindo-se à escolha dos padrinhos e madrinhas para o batismo de crianças e a crisma de jovens e adolescentes. Confesso que esta notícia deixou-me um tanto encabulado e daí senti-me no dever de fazer um breve esclarecimento.
A prática de adotar um “padrinho” ou “madrinha” para os que recebem os sacramentos da iniciação (batismo – crisma – eucaristia) vem dos primeiros séculos da era cristã. Escolhidos pela Igreja, os padrinhos se responsabilizavam em acompanhar os seus afilhados para que pudessem integrar-se na vida da comunidade, demonstrando pela sua vida, a verdade da sua fé.
Atualmente, o Código de Direito Canônico (CDC) diz que os padrinhos têm a missão correspondente a dos pais de “formar pela palavra e pelo exemplo, na fé e na prática da vida cristã” os seus afilhados (cf. cân. 774, §2). E, ainda diz que o padrinho se responsabiliza por “ajudar que o batizado leve uma vida de acordo com o batismo e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes” (cf. cân 872).
No que se refere às condições para que alguém possa ser escolhido para a tarefa de ser padrinho ou madrinha, seja para o batismo como para a crisma, o mesmo CDC afirma que “seja católico, confirmado [crismado], já tenha recebido o Santíssimo Sacramento da Eucaristia e leve uma vida de acordo com a fé e o encargo que vai assumir” (cân. 874, §1, n.3).
O Papa Francisco referindo-se à missão dos padrinhos e madrinhas disse que tal como o leite é alimento para o corpo, a Palavra de Deus é alimento para o espírito, recordando aos pais e padrinhos que é na fé de cada um deles que as crianças são batizadas. Assim disse o papa: “… é a fé da Igreja. Isto é muito importante. O batismo insere-nos no Corpo da Igreja, no Povo santo de Deus. E neste Corpo, neste povo em caminho, a fé vem transmitida de geração em geração: é a fé da Igreja. É a fé de Maria, nossa Mãe, a fé de São José, de São Pedro, de Santo André, de São João, a fé dos Apóstolos e dos Mártires que chegou até nós através do batismo. É muito belo isto! É um passar de mão em mão a vela da fé…” (Papa Francisco, 11/01/15).
No dizer do papa, o centro desta questão é a transmissão da fé que pais e padrinhos assumem publicamente diante da Igreja. Titubear nesta questão é colocar em risco a nossa fé; é comprometer o caminho que ela deve percorrer na vida de cada um de nós.
Não se trata de burocracia, permita-me dizer com todo respeito! Trata-se de compromisso e responsabilidade que hoje nós bispos, padres, pais, padrinhos e madrinhas temos que assumir com seriedade e coerência para que a fé não seja um “faz de conta”, mas possa amadurecer e produzir frutos entre nós!
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo da Diocese de Barretos

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