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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Ovelhas sem Pastor

Jesus escolheu colaboradores para ajudá-lo em sua obra e a ela dar continuidade depois que voltasse para o Pai. O Evangelho apresenta um grupo formado por doze discípulos – número que a qualquer judeu faria lembrar imediatamente as doze tribos, com os respectivos patriarcas, e assim toda a história da eleição de Israel por parte de Deus. O número, portanto, é simbólico, e o mais importante talvez seja perceber o motivo que levou Jesus a enviar – (a palavra “apóstolo” significa exatamente isto: enviado) – seus discípulos, acompanhados de algumas orientações prévias.
O estado de abandono das multidões formadas pelas “ovelhas de Israel” enche Jesus de compaixão, sentimento de quem comunga da dor do outro e a sente no mais íntimo das entranhas. A imagem que o evangelista usa – ovelhas sem pastor – faz-nos entender a situação de abandono em que aquelas pessoas se encontravam, enquanto muitos dos homens da religião daquela época estavam mais preocupados com o dízimo da hortelã e do cominho.
Jesus deixa-se tocar por aquela realidade e compreende a necessidade de operários para a colheita. A messe já está pronta; é preciso reunir trabalhadores que se dediquem a colher os frutos da terra. Um detalhe muito importante, que não pode passar despercebido, é que essa messe tem um dono e é a ele que se deve pedir trabalhadores. A colheita não é nossa; somos simples servos.
Os discípulos não são enviados como pregadores profissionais, com a missão de apenas chamar as pessoas à conversão. Eles recebem a autoridade de realizar as mesmas obras que Jesus realizava: com a força do bem, combater o reino de satanás, reino da discórdia, da divisão e da morte. Com suas palavras e ações, devem anunciar que o Reino de Deus está próximo. Esse Reino torna-se sempre mais próximo à medida que a Boa-nova é anunciada, os doentes são curados e a vida vence a morte.
A messe continua grande e os operários continuam poucos. Às vezes, lemos esse versículo (Mt 9,37) de forma redutiva, como se os operários fossem somente os padres e os religiosos. Na verdade, não é assim. Todos são convidados a trabalhar no Reino de Deus.
Não podemos viver com a consciência tranquila, enquanto tantos filhos e filhas de Deus vivem como se não tivessem nenhuma importância, invisíveis.

 

 

(Por: Manoel Gomes Filho,ssp)

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