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segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Ostentação dos jogadores acusam indignação

A polêmica em torno da cena de alguns jogadores da seleção brasileira (Vinícius Júnior e Militão) e o pentacampeão Ronaldo Fenômeno, comendo carne folheada a ouro na churrascaria Nusr-Et, do chef Salt Bae, no Catar causou indignação não só aos brasileiros, mas a milhões de pessoas no mundo todo. É consenso que os jogadores poderiam ter evitado tal ostentação, tendo em vista o Brasil ter milhões de pessoas vítimas da insegurança alimentar, muitos com fome, sem ter condições de uma alimentação digna por dia. Comentaristas esportivos, políticos, artistas e religiosos se manifestaram criticando os jogadores, pelo esnobismo e insensibilidade especialmente do momento atual de crise e polarização política no País.
Questionado, o pentacampeão Ronaldo Fenômeno associou a crítica de alguns, ao discurso de ódio que tomou conta de muitos brasileiros. No podcast ‘Podpah’, ele disse; ““A seleção brasileira e os jogadores de futebol têm uma responsabilidade tão grande de transmitir o bem, e as pessoas estão confundindo futebol com política, com discurso de ódio. As pessoas estão muito perdidas. Hoje você não vê a pessoa discutindo futebol, é só opinião […] e o discurso de ódio é constante. Se comeu a carne folheada a ouro, problema do cara. […] Não tem nada de errado, inclusive pode ser inspirador para outras pessoas. Tem coisas que é melhor a gente ignorar completamente”. Mas as críticas continuaram, por toda a parte. O fato é que os jogadores poderiam ter ido a um restaurante no Catar, que é um país com uma cultura diferente da brasileira, em vários aspectos, e talvez eles estivessem participando de uma especificidade turística local. Mas houve quem argumentou que eles poderiam ter curtido tal excentricidade privativamente, mas a ostentação pública foi chocante. Nesse sentido, as críticas se justificam.
O importante a ressaltar é que não apenas os políticos, mas qualquer pessoa pública com notoriedade, com imagem pública de alcance nacional e internacional, deveria estar mais atento ao que faz, porque repercute na vida das pessoas. A ostentação pública dos jogadores comendo carne folheada a ouro, não pegou bem. Caberia um pedido de desculpas pela insensibilidade diante dos que sofrem com a fome no País, e que a exibição de uma cena pantagruélica daquelas poderia ter sido evitada. Não se trata também das críticas terem sido motivadas por inveja, com quiseram alguns alegar. Qualquer ostentação dessa natureza, vinda de um ídolo nacional, não seria visto como moralmente aceitável. Os jogadores sentiram que não agiram corretamente, pela forma como reagiu o público e a sociedade em geral. Na próxima copa esperamos mais concentração na bola e menos “eventos” paralelos.

 

 

 

Valmor Bolan é Doutor
em Sociologia. Professor
da Unisa. Ex-reitor e Dirigente
(hoje membro honorário) do
Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras.

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