Ir para o conteúdo

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Artigos

OS IMPACTOS AMBIENTAIS DO GARIMPO

A intenção deste artigo é analisar os impactos do garimpo sobre o meio ambiente. O garimpeiro, para realizar o trabalho, necessita utilizar metais pesados (mercúrio e explosivos) para abrir grutas e perfurações no solo para a escavação manual. Muitos desses trabalhadores acabam sofrendo com problemas respiratórios, neurológicos e intoxicações causadas pelos componentes químicos manuseados diariamente e também por ficarem expostos a todos os tipos de condições do tempo e do meio. 
A paisagem de locais onde existem ou já existiram garimpo é modificada por quilômetros. Rios têm seus percursos alterados, vegetações são extintas e animais fogem ou morrem por causa da contaminação. Por diversas vezes o ecossistema dos locais ficam com danos irreparáveis em definitivo, mesmo com a utilização de recursos tecnológicos para recompor o local. 
Desabamentos de grutas e soterramentos de garimpeiros e animais são comuns. As bombas de alto impacto provocam grandes erupções nas rochas e no solo, além da contaminação do local com o chumbo. O uso do mercúrio nos garimpos do Brasil para a extração de ouro é comum, porém causa riscos à saúde dos garimpeiros, compromete o meio ambiente e ainda coloca em risco pessoas de comunidades próximas aos locais de exploração. 
Quando o ouro é encontrado o trabalhador o mistura com mercúrio para que se forme uma espécie de liga, facilitando assim sua identificação e para comprovar se de fato o que foi encontrado é ouro. Essa liga solidifica e é queimada, eliminando mercúrio na atmosfera, após ser vendido é novamente queimando para que consiga um estado mais limpo do metal precioso e assim possa ser trabalhado e moldado conforme desejo de ourives e designers. 
Nessa segunda “queima” o mercúrio é lançado no ar novamente, poluindo a atmosfera e afetando a saúde humana. A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou recentemente um estudo que aponta a América do Sul, Ásia e África como os continentes mais contaminados com mercúrio por causa das atividades garimpeiras. A melhor forma de minimizar esses males talvez seja um mapeamento das áreas onde ocorrea extração manual de metais, além de uma maior regulamentação da atividade e controle do trabalho feito. 
Em razão dos contínuos e graves problemas socioambientais associados à atividade garimpeira é necessário que o governo adote algumas medidas voltadas ao controle e ao seu aperfeiçoamento, tais como identificação das áreas onde há exploração artesanal do ouro e desenvolver o mapeamento das áreas onde há risco de poluição por mercúrio; promova campanhas de conscientização para que os garimpeiros possam trabalhar dentro das melhores técnicas, reduzindo sua exposição ao mercúrio e o risco de suas operações; implante linhas de crédito para compra de equipamentos mais adequados, tais como as conhecidas “retortas” onde o mercúrio usado no amálgama será separado do ouro e condensado para nova utilização; restringir as compras públicas (o governo é um grande comprador de ouro nos garimpos) àqueles garimpos que possam comprovar o uso de equipamentos para redução do risco de contaminação por mercúrio.
 
 
Leonardo A. C. Zanon  e  Jefferson Barbosa, graduandos em Direito pela Faculdade Barretos.

Compartilhe: