Ir para o conteúdo

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Artigos

“Os filhos não podem ser vitimas dos problemas dos pais”

“Os pais costumam entender que a criança não tem um “eu”, um sistema cognitivo preparado para exercer o autocontrole, mas, na verdade, isso pode se estender até a adolescência. Há muitos adolescentes de 15 a 18 anos que ainda estão em processo de formação e, portanto, estão sensíveis. É por esse motivo que não se deve fazer crítica à pessoa, mas, sim, ao comportamento.
Um exemplo seria dizer: “Filho, esse comportamento está de acordo com o que a gente combinou?”. Dessa forma, não há ataque à pessoa. É extremamente nocivo dizer: “Você não faz nada direito”, porque com essas palavras há um ataque ao indivíduo. Aqui há uma diferença a ser destacada: o elogio deve ser dirigido à pessoa como um todo; a correção deve ser sempre direcionada a alguma atitude pontual. A ação dos pais com relação aos filhos nunca deve ser desgovernada, pois isso aterroriza a criança. E isso não faz a criança ser educada, pelo contrário, a faz ser submissa.
Depois disso, há duas possíveis consequências: ou ela será agressiva com os colegas ou ela será mais fechada. Com isso, percebe-se que a maneira pela qual os pais lidam com seus conflitos reflete na maneira pela qual os filhos enfrentarão seus desafios. E, infelizmente, muitos pais descarregam nos filhos seus problemas – inclusive do casamento –, sendo que é papel dos pais cuidar dos seus filhos e dar suporte a eles, não o contrário. Os pais têm bagagem para lidar com a vida adulta, não as crianças.”

Leo Fraiman é psicoterapeuta, supervisor clínico

Compartilhe: