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quinta-feira, 05 de agosto de 2021

Artigos

Os efeitos da crise na educação

Há mais de um ano as escolas estão sofrendo os impactos da pandemia, que ainda parece estar longe de passar, cujos danos têm causado devastação na sociedade, em todos os aspectos, na maioria dos países. “É o maior desafio para a comunidade global desde a década de 1940”, declararam 24 líderes do mundo, ressaltando ainda que poderá haver “outras pandemias e outras emergências de saúde”. Os líderes mundiais reconheceram que “nenhum governo ou agência multilateral pode enfrentar esta ameaça sozinho”. E afirmaram que “a questão não é se, mas quando. Juntos, devemos estar mais bem preparados para prever, prevenir, detectar, avaliar e responder com eficácia às pandemias de uma forma altamente coordenada. A pandemia Covid-19 tem sido um lembrete gritante e doloroso de que ninguém está seguro até que todos estejam seguros”. Com isso, sinalizam que será preciso um esforço conjunto internacional para a superação dos desafios existentes, e que a pandemia mostrou ao mundo as fragilidades de governos, empresas, instituições (inclusive médicas) para lidar com o problema de tão grande proporção.
A Educação também reflete a dimensão da crise. Especialistas não chegaram ainda a um acordo sobre quais melhores ações devem ser tomadas para evitar o agravamento da situação. O debate sobre se as escolas devem ou não permanecer fechadas ou semi-abertas prossegue, no mundo todo, especialmente porque nem todas as escolas (especialmente públicas) estão devidamente equipadas para viabilizar as suas atividades on line. O fato é que não são somente os professores e demais profissionais da Educação que devem estar providos dos meios necessários, mas também os alunos e seus familiares devem estar em condições técnicas para que o ensino on line aconteça satisfatoriamente. E os alunos das regiões mais pobres são os que menos condições técnicas possuem para atenderem as exigências.
Tudo isso trouxe transtornos e prejuízos. É o segundo ano que as escolas permanecem na incerteza do que fazer, comprometendo as atividades, sem saber ainda os efeitos disso na formação dos alunos. É preciso garantir também a saúde mental diante do aumento do stress. Todos sabem que é preciso humildade para se abrir a novos aprendizados. De qualquer forma, precisamos estar atentos e buscar todos os meios para mitigar os efeitos negativos, pensando em medidas que realmente possam garantir o melhor da Educação, mesmo em meio a todas as atuais dificuldades. No esforço conjunto será possível encontrar boas soluções.

* Valmor Bolan é Doutor em Sociologia. Professor da Unisa. Ex-reitor e Dirigente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Pós-graduado em Gestão Universitária

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