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domingo, 09 de abril de 2017

Artigos

Os biomas da Fraternidade

As Campanhas da Fraternidade sempre foram momentos “quaresmáticos”, de reflexão e penitência. Neste ano, o tema envolve os biomas brasileiros, que se afina muito com meu trabalho, tenho diversos colegas no INPE que estudam a devastação dos biomas e suas consequências funestas para o país. 
A Igreja Católica há algum tempo, tem sido voz profética a respeito da ecologia. À luz da fé, interrogar-nos-emos nas reflexões desta Campanha sobre o significado dos desafios apresentados pela situação atual dos biomas e dos povos que neles vivem. 
O maior bioma do Brasil é a Amazônia, ocupa 61% do território nacional, presente nos estados do Norte e ainda  Mato Grosso e Maranhão. O bioma Amazônia é marcado pela maior bacia hidrográfica de água doce do mundo. Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico cerca de 175 milhões de litros d´água a cada segundo, influenciando a temperatura do planeta. Também há o rio aéreo, que leva água em forma de vapor para a região Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil. Isso devido às árvores altas, seu corte acabará com o rio aéreo, tornando a região central do Brasil um grande deserto. 
A Caatinga, que significa “mata clara e aberta”, encontra-se envolvida pelo clima semiárido entre a estreita faixa da Mata Atlântica e o Cerrado.  É um bioma exclusivamente brasileiro, que abrange territórios de oito estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas. Com 70% do seu subsolo formado por rochas cristalinas, tem poucas nascentes e rios perenes. 
O Cerrado tem solo de composição arenosa, é encontrado na região Centro-Oeste, oeste de Minas Gerais e sul do Maranhão e do Piauí. Nesta área vivem 22 milhões de pessoas. É no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata). No Cerrado predominam formações da savana e clima tropical quente sub úmido, com uma estação seca e uma chuvosa. A Igreja defende a PEC 115/150. 
A Mata Atlântica estendia-se originalmente por 17 estados. Hoje restam 8,5% ou, somando todos os fragmentos de mais de 3 hectares, 12,5% da sua área original. Desde o descobrimento do Brasil a Mata Atlântica vem sendo destruída. O pau-brasil foi o principal alvo da extração e exploração daqueles que colonizavam o Brasil. 
O bioma Pantanal é a maior extensão úmidas contínuas do planeta. E uma pequena faixa dele adentra outros países (o Paraguai e a Bolívia). Ele é caracterizado por inundações de longa duração (devido ao solo pouco permeável) que ocorrem anualmente na planície, e provocam alterações no ambiente, na vida silvestre e no cotidiano das populações locais. A vegetação predominante é a savana. 
O bioma pampa está presente, no Brasil, somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. Ele constitui os pampas sul- americanos, que se estendem pelo Uruguai e pela Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O pampa é marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno. 
 
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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