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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Os 100 anos do Rádio no Brasil

Caros leitores,
O agitado ano de 1922, no Brasil, nos trouxe uma novidade: a primeira transmissão radiofônica. O evento aconteceu a 7 de setembro, nas celebrações do centenário da Independência.
O Rádio atravessou um século em um mundo em constantes transformações, sempre se renovando, sendo um instrumento de suma importância na difusão da cultura e integração nacional, principalmente, a partir da década de 1930, com o início da comunicação em massa.
Ele nasceu, oficialmente, no final do século XIX, pelas mãos do italiano Guglielmo Marconi, que patenteou o invento, apesar de experimentos anteriores feitos por diversos cientistas, com descobertas importantes sobre a propagação do som por ondas radiofônicas. Contudo, a primeira Guerra Mundial foi uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do mesmo, como meio de comunicação de longa distância, ao aproveitar tecnologia usada nas batalhas. E o invento se aperfeiçoava. A partir de 1920, houve uma evolução e podia-se ouvir música e conversas em várias partes do mundo.
No entanto, somente em 1922, o Rádio chegou ao nosso país, como parte dos festejos do centenário da Independência, durante a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, com transmissão à distância e sem fios, da fala do presidente da República, Epitácio Pessoa. O acontecimento foi transmitido por meio de uma antena instalada no morro do Corcovado e alcançou receptores em Niterói, Petrópolis e São Paulo. No entanto, Roquette Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil, comentou: “praticamente ninguém ouviu nada da transmissão, porque o barulho da exposição era muito grande. Os alto-falantes eram relativamente fracos, mas mesmo assim causou uma certa sensação a transmissão do discurso do presidente Epitácio Pessoa e das primeiras músicas”.
A emissora pioneira foi a PRA-2 – Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em 1923, por Roquette-Pinto, com o intuito de difundir a educação por este meio. Inicialmente, a programação era seleta, essencialmente, com música clássica, ópera e textos instrutivos. Apenas, a partir da década de 1930, na Era Vargas, foram inauguradas diversas emissoras, como a Mayring Veiga, Record, Nacional, entre outras espalhadas pelo interior do país, além de contar com o aumento considerável de receptores, isto é, aparelhos de rádio. Nessa época, a programação já era diversificada e popular, como instrumento de lazer e diversão, para deleite, imaginação e encanto dos ouvintes. Com isso surgiram os primeiros ídolos do rádio, como: Emilinha Borba, Ângela Maria, Carmen Miranda, Marlene, Cauby Peixoto, Francisco Alves, Lamartine Babo, Ary Barroso e entretenimento, como o Programa César Ladeira; ainda humorísticos, radionovelas e programas de auditório.
Os mais velhos, certamente, se lembram dessa linda e famosa canção: “Nós somos as cantoras do rádio/ levamos a vida a cantar/ De noite embalamos teu sono/ De manhã nós vamos te acordar/Nós somos as cantoras do rádio/ Nossas canções cruzando o espaço azul/ Vão reunindo num grande abraço corações de norte a sul”.
Em Barretos, a S.A. Rádio Barretos – PRJ – 8, nossa primeira emissora, foi inaugurada a 15 de novembro de 1940, inclusive com programas de auditório, revelando inúmeros talentos barretenses. Hoje a cidade conta com diversas estações de rádio, que transmitem notícias e músicas. Algumas são retransmissoras de emissoras da capital paulista.
Com a inauguração da TV Tupi, primeira emissora de televisão do país, em 1950, muitos acreditavam que o ‘Rádio’ iria desaparecer. Mero engano! As rádios continuaram firmes no propósito de bem informar e levar aos ouvintes programas jornalísticos, musicais, esportivos, sertanejo, gospel etc. Ultimamente, emissoras usam o canal do YouTube para transmitir sua programação, combinando a voz de seus locutores, que é tradicional, com imagens ao vivo.
É bom lembrar que, houve um tempo, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, muitos locutores barretenses passaram pelos microfones das rádios da capital, entre eles: Antonio Casale Filho, Marco Antonio Siqueira de Matos, Pérsio de Piratininga Assunção, Rubens Cotrim, Luiz Aguiar
Queremos prestar um tributo especial aos locutores e técnicos, atuais e ‘in memoriam’, das emissoras barretenses, através do saudoso radialista, gerente da PRJ-8 e confrade da ABC, José Vicente Dias Leme, um grande amante do Rádio e profundo conhecedor da MPB, falecido em 2021.
Senhores ouvintes, bom dia!

José Antonio Merenda
Escritor, historiador e
membro da ABC – Academia
Barretense de Cultura –
Cadeira 29

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