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segunda-feira, 24 de junho de 2024

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Oração , fé e esperança no dia de finados

No dia 2 de novembro, os cristãos celebram o dia de Finados, ocasião de visita aos parentes queridos, que já não estão no convívio, e também de orações pelas almas do Purgatório. A Igreja confirma a realidade do Purgatório como dogma de fé, razão esta inclusive que os fiéis rezam no Credo, a confirmação da fé na ressurreição da carne. Isso quer dizer que a fé cristã leva o fiel a olhar para a sua realidade definitiva que não é esta deste mundo (realidade penúltima), mas a da vida eterna (realidade última), daí a importância de rezar por aqueles que partiram desta vida e precisam das nossas orações. Isso porque, segundo a fé, as almas do Purgatório padecem penas relativas aos pecados cometidos nesta vida, e que estando arrependidas e confirmando a fé em Deus, precisam se purificar, para recuperar o estado de graça que permitam participar da vida eterna, com Deus.
O papa Francisco, em mensagem no dia de Finados, de 2016, em Roma, afirmou que “a comemoração dos finados tem este significado duplo. Um sentido de tristeza: o cemitério é triste, pois recorda-nos os nossos entes queridos que já partiram; mas lembra-nos também o futuro, a morte; no entanto, com esta tristeza nós trazemos flores, como sinal de esperança e inclusive, posso dizer, de festa, mas depois, não agora. E a tristeza amalgama-se com a esperança. E é isto que todos nós sentimos hoje, nesta celebração: a memória dos nossos entes queridos, diante dos seus despojos, e a esperança”. E acrescentou: “Mas sentimos também que esta esperança nos ajuda, porque nós devemos percorrer este caminho. Todos nós trilharemos esta vereda. Mais cedo ou mais tarde, mas todos! Com dor, mais ou menos dor, mas todos! No entanto, com a flor da esperança, com aquele fio forte que está ancorado no além. Eis a âncora que não desengana: a esperança da ressurreição”. Por isso, os cristãos celebram o dia de Finados com a renovação de que espera a misericórdia de Deus, para todos os que têm fé, e estão contritos de seus pecados, para participarem da dignidade de estarem com Deus, na vida eterna.
Nesse sentido, completou o papa Francisco, em sua mensagem de 2020: “’A esperança não desilude’ (Rm 5, 5), disse-nos São Paulo. A esperança atrai-nos e dá sentido à nossa vida. Não vejo o além, mas a esperança é o dom de Deus que nos atrai para a vida, para a alegria eterna. A esperança é uma âncora que temos do outro lado e, agarrados à corda, sustentamo-nos (cf. Hb 6, 18-20). ‘Sei que o meu Redentor está vivo e eu mesmo o contemplarei’. Repitamos isto nos momentos de alegria e de tristeza, digamos assim na hora da morte. Esta certeza é uma dádiva de Deus, pois nunca poderemos ter a esperança com as nossas próprias forças. Devemos pedi-la. A esperança é um dom gratuito que nunca merecemos: é doado, é concedido. É graça!” Por isso, celebramos o dia de Finados, com fé e esperança, para que as nossas orações possam alcançar, aqueles que amamos e que esperamos um dia também estarmos juntos, pela graça de Deus.

 

 

Valmor Bolan é Doutor em
Sociologia. Professor da
Unisa. Ex-reitor e Dirigente
(hoje membro honorário)
do Conselho de Reitores
das Universidades Brasileiras.

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