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domingo, 26 de janeiro de 2014

Artigos

ODISSEIA

Bom Dia Barretos. 
Hoje quero falar de uma odisseia, mas não da odisseia de Homero, poeta épico da Grécia antiga e autor de Odisseia, poema que relata o regresso de Odisseu, um herói da guerra de Tróia que muito vagueou depois de ter destruído a cidade sagrada de Tróia, enfrentando mil dificuldades, padecendo mil tormentas nos mares, enquanto lutava pela vida e pelo regresso de seus companheiros. 
Hoje quero abordar outra odisseia, a odisseia que os nossos dicionários retratam como uma viagem cheia de aventuras e peripécias, ou seja, a odisseia do povo de Barretos, principalmente da classe mais humilde, em busca de atendimento médico-hospitalar. Ao passar por dificuldade financeira, como tantas outras Santas Casas e hospitais filantrópicos, a mesa diretora do hospital pediu socorro, e solicitou à administração municipal uma ajuda extra de trezentos mil reais. 
Em vez do socorro, veio a intervenção e com ela os recursos, recursos em volume muito maior, do que aqueles que a mesa diretora pleiteava, e em vez de se solucionar o problema, vimos o atendimento se tornar uma verdadeira odisseia. Alias a saúde pública em Barretos está uma verdadeira calamidade. Creio que já passou da hora de devolver a Santa Casa à mesa administrativa.  Sempre que se inicia uma administração é praxe conceder um período de cem dias para que os novos administradores comecem a mostrar serviço, depois de definirem suas prioridades, ou melhor, as prioridades do município e tomarem pé da situação. Bem, não é o caso do atual administrador, que foi líder do Prefeito, um de seus maiores defensores na Câmara e dele recebeu apoio para se eleger. Mas lá se vão não os cem dias, mas treze meses, quase quatrocentos dias, e o atendimento à saúde, alardeada como meta prioritária nos planos de governo, só foi se agravando. Mas, deixando de lado a intervenção na Santa Casa, nos deparamos com a UPA cantada em verso e prosa, que continua dormindo em berço esplêndido, a espera, de que, uma fada encantada, através de um beijo a faça emergir de seu sono letárgico. 
As unidades básicas de saúde continuam com a crônica falta de médicos e os encaminhamentos para exames se arrastam por meses. Conseguir marcar uma cirurgia se tornou uma verdadeira odisseia, onde os pacientes, tal qual Odisseu, no poema de Homero têm que vencer mil dificuldades e tormentas. Ouço diariamente em meu consultório relatos impressionantes e denoto a angustia e o quase desespero estampados no rosto, de trabalhadores humildes em busca de saúde para continuarem a tocar suas vidas. 
A população está angustiada, mas para os nossos administradores a cidade está feliz, a vida atravessando um céu de brigadeiro, um verdadeiro mar de rosas. Vamos torcer para que depois do carnaval a UPA possa entrar em funcionamento, a Santa Casa ser entregue à mesa diretora para retomar o trabalho comunitário que vinham fazendo, as unidades básicas de saúde ampliem o horário de funcionamento, recebam médicos para atender nossa população e aí então elevando nossos pensamentos aos céus e agradecendo a DEUS, por ter ouvido os reclamos de nosso povo, dizer: – Alguma coisa mudou.
BOM DIA BARRETOS. 

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