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terça-feira, 06 de outubro de 2015

Artigos

Obesidade mata mais que Aids

Trago nesta edição da revista BOA VONTADE, artigo de minha autoria, publicado no livro Crônicas e Entrevistas, lançado pela Editora Elevação no ano de 2000, e que considero de interesse geral, pois o bem-estar físico é patrimônio valioso para a Humanidade. E o tema em pauta continua assunto preocupante na Organização Mundial da Saúde (OMS).
Há algum tempo o Presidente Bill Clinton declarou o número progressivo de obesos como calamidade pública nos Estados Unidos. As TVs mostraram jovens com dificuldade de se locomover, tamanho o peso. Aqui pelo Brasil estamos assistindo a fatos semelhantes.
O Dr. Walmir Coutinho, da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade, que realiza um trabalho com o Ministério da Saúde, concedeu entrevista a João Paulo Lopes, no programa Viver é Melhor, da Reeducar — Rede Educação e Futuro de Televisão.
Entre as suas declarações, destaco estas que expõem a gravidade da doença que anda ceifando preciosas vidas:
— É muito preocupante. (…) A gente já tem, com excesso de peso no País, 36% dos brasileiros. (…) E o que impressiona mais é que, justamente nas camadas de menor poder aquisitivo, se observa o maior índice de crescimento desse problema.
Existem algumas explicações. E talvez no Brasil haja duas realidades diferentes, pelo menos esta é minha hipótese, a maneira como vejo as coisas: (…) na população de renda mais alta, de maior escolaridade, possivelmente o fator predominante seja o conforto da vida moderna e a inatividade física dele decorrente (…), sem falar da violência nas grandes cidades, que prende as crianças dentro de casa. Elas não podem mais sair à rua para divertir-se, têm de permanecer em frente da TV, do computador, da Internet, o tempo todo.
Agora, nas camadas de renda mais baixa, creio ser decisiva a educação, que, de forma lamentável, é muito deficitária ali, principalmente a específica para este assunto: a alimentação saudável e a importância do exercício corporal.
Sem essa instrução, a pessoa acaba comendo errado. Há dados alarmantes. Por exemplo: o consumo de linguiça no Brasil aumentou em 1.000% nos últimos anos. Então, acho que, para as comunidades pobres, a alimentação é ruim, com muita gordura animal. (…)
 
Desequilíbrio dietético
O desequilíbrio dietético apresenta uma série de ameaças graves que, infelizmente, levam muitos à morte.
São riscos associados à gordura escondida no abdômen, chamada de abdominal visceral. (…) Ela desencadeia uma resistência à ação da insulina, hormônio que controla o açúcar no sangue. O que vem junto com isso? Pressão alta, o diabetes (até nas crianças)… Se ele não vem, chega a tolerância glicídica, o colesterol alto, e tudo isso leva o indivíduo a uma tendência muito grande de entupir vasos sanguíneos, determinando vários tipos de complicações, ligadas à obstrução vascular. (…)
Quando se somam essas coisas e se vai fazer uma estimativa, acredita-se hoje que, no Brasil, 80.000 mortes anuais sejam causadas pelas consequências da obesidade.
É realmente assustador. Para se ter uma ideia de quanto significa esse fato: nem a Aids chegou a matar a metade disso. A obesidade é, pois, uma epidemia que destrói mais do que o HIV.
 
 
José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta.

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