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domingo, 09 de novembro de 2014

Artigos

Obesidade infantil: uma emergência nas Américas

No começo de outubro, durante reunião do comitê regional da OMS (Organização Mundial de Saúde) para as Américas, em Washington, foi lançado um plano de ação para conter a obesidade em crianças e adolescentes, que alcançou proporções epidêmicas nas Américas.
Agora, a OPAS (Organização Pan-americana da Saúde) vai unificar os esforços e assumir a liderança deste plano de ação.
Estudos concordam que os fatores mais importantes que promovem o aumento de peso e obesidade, assim como as doenças não transmissíveis conexas, são o alto consumo de produtos com pouco nutrientes e muito açúcar, gordura e sal, além de consumo regular de bebidas açucaradas e atividade física insuficiente.
O consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, tem forte associação com doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
Uma tendência comercial atual associada à epidemia de obesidade é a grande oferta e o aumento do consumo per capita dos produtos energéticos com poucos nutrientes na população de baixa e média renda. O consumo desses produtos é cinco vezes maior e o de refrigerantes e quase três vezes maior em comparação ao de países desenvolvidos.
A publicidade desses produtos para crianças e adolescentes aumentou, influenciando as preferências alimentares, as compras e os padrões alimentares dessas populações.
As oportunidades de atividade física diminuíram, devido à falta de planejamento urbano, violência e ao fato de a diversão eletrônica estar substituindo cada vez mais a atividade física recreativa.
Quanto mais cedo o indivíduo fica com sobrepeso e obesidade, maior é o risco de permanecer assim com o avançar da idade. A obesidade em idade precoce têm consequências adversas para a saúde, pois aumenta o risco de asma, diabetes tipo 2, apneia do sono e doenças cardiovasculares, além de afetar o crescimento e o desenvolvimento psicossocial durante a adolescência.
O Plano de Ação da OMS para combate à obesidade infantil tem várias metas, entre as quais destacam-se o incentivo do aleitamento materno exclusivo até seis meses de idade, melhoria de ambientes de nutrição e atividade física nas escolas e políticas fiscais e de regulamentação do marketing e rotulagem dos alimentos.
A estratégia para a melhoria de ambientes de nutrição e atividade física nas escolas incentiva as intervenções na escola, para modificar o comportamento alimentar e prevenir o sobrepeso e a obesidade. O Programa “Meu Pratinho saudável”, desenvolvido com metodologia e apoio científico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, se baseia em um método facilitado para melhor compreensão das crianças e adolescentes em idade escolar quanto aos melhores ingredientes e porções a serem colocados no prato, além de ter como base atividades lúdicas, que são incorporadas às atividades escolares.
A experiência exitosa do programa já comprovou que, depois de apenas um ano, alunos de uma escola estadual da zona oeste da capital paulista melhoraram seus hábitos alimentares, passando a comer mais frutas e verduras e reduzindo o consumo de doces, biscoitos, macarrão instantâneo, refrigerantes e frituras, além de terem aumentado o tempo destinado à atividade física.
Com educação e orientação nutricional, os alunos tornam-se multiplicadores junto a pais, familiares e colegas. Com isso, São Paulo se alinha às metas da OMS no combate da epidemia de obesidade infantil que preocupa e assusta as Américas.
 
Elisabete Almeida, médica, é coordenadora do Programa Meu Pratinho Saudável, do Hospital das Clínicas da FMUSP em parceria com a LatinMed

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